A mobilização social é um vigoroso instrumento de defesa de direitos e poderoso para pressionar os Poderes no exercício de seus deveres, obrigações, finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, zelo dos recursos públicos e gestão voltada à qualidade de vida do povo. Não existe um futuro promissor para uma nação de cidadãos servis e acomodados que entrega o poder aos legisladores permissivos, a uma justiça leniente e aos governantes negligentes, perdulários e ambiciosos que cobram impostos abusivos, desperdiçam dinheiro público, sonegam saúde, submetem a educação, estimulam a violência, tratam o povo com descaso e favorecem a impunidade dos criminosos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

UMA CAUSA QUE UNE GRUPOS

ZERO HORA 14 de junho de 2013 | N° 17462

PROTESTOS E QUEBRA-QUEBRA

Porto Alegre inspirou protestos em São Paulo, Rio e outras capitais. Puxado por jovens militantes do PSOL, PSTU, movimentos sociais e anarquistas, o Bloco de Luta pelo Transporte Público alcançou vitória com a redução das tarifas. Em São Paulo, os protestos surgiram para repetir Porto Alegre. Mas os paulistas pegaram pesado na irracionalidade. O quadro se inverteu, e São Paulo inspirou Porto Alegre.

Blocos de lutas integrados por grupos de conexões nacionais marcaram protestos simultâneos para ontem à noite em capitais. E os porto-alegrenses, encorajados pelos companheiros paulistas, adotaram atos de violência de intensidade não vista antes, liderados por anarquistas com traços sociopatas.

Os protestos não vão parar. A causa do transporte público é a que mais unifica os grupos ideológicos. Eles pleiteiam nova redução para R$ 2,60. Mas há outras causas, como as árvores da Avenida Beira-Rio. Os movimentos representam um novo extrato da sociedade. Idealistas desencantados com a política sindical e partidária tradicional querem interferir no sistema por meio dos movimentos sociais. Isso leva aqueles que pertencem a partidos a se integrarem aos atos pelos coletivos. Uma adaptação. Uma nova forma de expressão – por vezes radical e agressiva – de emoções e utopias.

CARLOS ROLLSING

PROTESTOS E QUEBRA-QUEBRA



ZERO HORA 14 de junho de 2013 | N° 17462


Atos de vandalismo


Impulsionados por três ruidosos – e violentos – protestos em São Paulo, manifestantes voltaram às ruas de Porto Alegre para protestar contra a tarifa de ônibus, mesmo que ela já tenha sido reduzida. A noite acabou em vandalismo e 23 prisões.

Mesmo com o valor das passagens de ônibus reduzido após manifestações de rua, outra passeata contra o reajuste de tarifas foi convocada para ontem, e terminou em quebra-quebra, em Porto Alegre. Em um protesto que começou de forma pacífica em frente à prefeitura e se radicalizou noite adentro, contêineres foram incendiados, bancos quebrados e veículos depredados. Vinte e três manifestantes foram detidos – 18 homens e cinco mulheres.

Os ativistas não se contentaram com a redução da passagem de R$ 3,05 para R$ 2,85 em abril, após passeatas semelhantes à de ontem, ocorridas em março. A causa agora tinha mais uma motivação: solidariedade aos manifestantes cariocas e paulistas que há uma semana invadem as ruas e tentam baixar a tarifa, mimetizando o sucesso dos ativistas gaúchos. Só que os porto-alegrenses reprisaram aqui a depredação registrada em Rio e São Paulo. Ecoa também uma onda de protestos com motivações econômicas, como a crise financeira da Europa, que sacode a juventude de Atenas a Istambul, de Barcelona a Paris, tudo alimentado pela internet e encorpado pelas imagens que rodam o planeta via mídias sociais.

O protesto em Porto Alegre começou às 18h, durou cerca de quatro horas e bloqueou o trânsito nas principais vias. A manifestação foi convocada sob justificativa de tentar reduzir ainda mais o valor da passagem, já que houve isenção de tributos PIS/Cofins para as empresas de ônibus. Os manifestantes, na maioria jovens, formavam uma miscelânea: anarquistas e ativistas sociais e estudantis, mesclados a militantes de partidos de esquerda. O refrão entoado aos gritos era: “Se a passagem aumentar, a cidade vai parar”.

Após saírem da prefeitura, seguiram pela Avenida Júlio de Castilhos até a rodoviária. Alguns subiram no arco da Trensurb em frente ao Mercado Público, acenderam sinalizadores, picharam a estação do trem e impediram que jornalistas registrassem os atos, ameaçando tirar-lhes os equipamentos. Bancos tiveram vidros quebrados e ônibus foram depredados, em gestos repudiados pela maioria.

– Mostra a cara! – gritava a maioria a um pequeno grupo de 20 depredadores, tentando impedir que a quebradeira virasse marca.

Não conseguiram, mas vaiaram seus colegas manifestantes. O trânsito foi bloqueado sucessivamente nas avenidas Júlio de Castilhos, Loureiro da Silva, Salgado Filho, João Pessoa e Erico Verissimo. A Brigada Militar e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) acompanharam o trajeto, que chegou à Avenida Borges de Medeiros, trancando a circulação nos dois sentidos.

Drogas e soco-inglês

A unidade da mobilização ficou comprometida no momento em que os mascarados quebraram vidros e viraram mesas de um bar na Rua da República.

– Não se esqueçam que o protesto é contra o aumento da passagem – relembrou um manifestante.

Ao passarem em frente à sede do Tribunal de Justiça, onde a tropa de choque da BM fazia proteção, manifestantes atiraram pedras no edifício e fizeram pichações pelo caminho. Na Avenida João Pessoa, algumas pessoas atearam fogo a contêineres, bloqueando a via por cerca de uma hora.

A falta de comando entre os próprios manifestantes – muitos não queriam confusão e quebradeira – fez com que o tumulto começasse ainda internamente.

A BM estava orientada só a acompanhar o protesto, mas o contêiner queimado foi o ponto crucial para a mudança de postura da tropa de choque. Policiais identificaram manifestantes consumindo maconha e cocaína e portando objetos como soco-inglês e pedras, que vão bem além das bandeiras de partidos políticos e de diretórios estudantis. A BM reagiu com bombas de gás lacrimogêneo. Ao final do protesto, os detidos foram encaminhados a uma companhia do 9º Batalhão de Polícia Militar, na Rua José Montaury (Centro).

Dos 23 presos, pelo menos duas pessoas já eram conhecidas da polícia. Eles assinaram termos circunstanciados por dano ao patrimônio privado e público e serão investigados. A grande diferença em relação a São Paulo e Rio é que em Porto Alegre não foram registrados feridos graves. Só na capital paulista, dezenas de pessoas foram machucadas por balas de borracha, incluindo sete repórteres.

O curioso nesse episódio é que, ao contrário de outras capitais, a redução das passagens já aconteceu em Porto Alegre e acaba de receber novo apoio. Além do Tribunal de Justiça, que deu liminar garantindo o rebaixamento da tarifa, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) emitiu ontem medida cautelar reforçando a decisão. Mesmo imersos na euforia da vitória, manifestantes promoveram a quebradeira.



Carro do Grupo RBS é atacado

Por volta das 21h10min, um carro do Grupo RBS que levava funcionários para o aeroporto parou na Avenida João Pessoa, ao lado do Parque Farroupilha, devido à concentração de manifestantes no trajeto. O veículo foi sacudido, pichado, chutado e teve o vidro traseiro quebrado por um pedaço de ferro. Um grupo de cerca de seis pessoas, algumas mascaradas e carregando paus, pedras e pedaços de sinalizadores de trânsito, chegou a ensaiar mais hostilidades, mas uma jovem, também integrante do protesto, interveio. O automóvel ficou retido por cerca de cinco minutos até poder deixar o local.


TCE decide manter passagem em R$ 2,85

A passagem de ônibus em Porto Alegre deve permanecer em R$ 2,85. A decisão é do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que emitiu medida determinando à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) que mantenha a tarifa que está em vigor.

O conselheiro Iradir Pietroski, que estuda o assunto no TCE, diz que uma auditoria detectou erros no reajuste que a passagem para R$ 3,05 – e que vigorou de 22 de março a 5 de abril.

A tarifa voltou a ser de R$ 2,85 por força de uma liminar para uma ação popular que tramita na Justiça Estadual e que não tem relação direta com a auditoria promovida pelo TCE. A EPTC tem 15 dias para explicar o cálculo da tarifa e contestá-lo, se assim desejar.





P

quarta-feira, 12 de junho de 2013

NOITE DE PROTESTOS ACABA EM VIOLÊNCIA


ZERO HORA 12 de junho de 2013 | N° 17460

TARIFA EM SÃO PAULO. Revoltado com o reajuste, grupo depredou prédios e enfrentou tropa da PM


Após mais de quatro horas de uma peregrinação que começou na Avenida Paulista, atravessou o centro de São Paulo e voltou para a Paulista, o terceiro e maior protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento das passagens de ônibus, trem e metrô, ontem, terminou em confrontos e depredação. A Praça da Sé teve prédios pichados e depredados. Ônibus foram danificados.

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas, incluindo um policial militar, e cerca de 20 teriam sido presas até as 23h30min.

Por volta das 21h50min, os manifestantes colocaram fogo em lixo para fechar uma pista da Paulista. Eles quebraram vidros de agências do Itaú, do Bradesco e da estação Trianon-Masp do metrô, que teve a entrada fechada. Ônibus, orelhões, lojas e base da PM também foram vandalizados. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo.

Mais cedo, o grupo destruiu lixeiras, pontos de ônibus e vidros de pelo menos nove agências bancárias, da Sé à Paulista. No Largo de São Francisco, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) foi pichada. Na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, houve confusão quando o professor de uma academia de ginástica tentou impedir o vandalismo.

Entre 10 mil e 12 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a Polícia Militar (PM).

A tensão aumentou quando manifestantes ameaçaram invadir o Terminal Parque Dom Pedro. Ônibus foram depredados e integrantes tentaram queimar um trólebus e uma caçamba de lixo. Foi quando a Tropa de Choque começou a atirar balas de borracha e bombas. Milhares de manifestantes que desciam a Avenida Rangel Pestana voltaram para a Sé devido ao gás lacrimogêneo lançado.

A marcha, engrossada por representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e alas jovens do PT e do PSOL, além de estudantes de outros Estados, foi marcada por bloqueios da PM em pontos-chave.

Líderes do movimento incentivaram manifestantes a realizar novos protestos hoje. Outro ato está marcado para quinta. A campanha começou na quinta-feira, com um protesto que fechou a 23 de Maio, a Paulista e a 9 de Julho. Na sexta-feira, a Marginal Pinheiros foi bloqueada. Nos dois dias, também houve confronto com a PM.

No dia 2, a passagem em São Paulo foi reajustada de R$ 3 para R$ 3,20.


REPETIR O RS, PORTO ALEGRE, ABRIL - 
Faixa em São Paulo, no dia 6, lembrou a capital gaúcha - Após manifestações contra o reajuste da passagem para R$ 3,05, decisão judicial suspendeu temporariamente o aumento. O fato foi exaltado como exemplo por manifestantes em São Paulo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

PROTESTOS SEM VANDALISMO


ZERO HORA 10 de junho de 2013 | N° 17458

EDITORIAIS


Pichações, danos a prédios e equipamentos públicos, carros e ônibus depredados, além de confrontos entre manifestantes e policiais, vêm marcando os protestos públicos contra a elevação de tarifas urbanas em algumas cidades brasileiras. Numa democracia, as forças de segurança têm que ser tolerantes com as manifestações coletivas, mas dentro do limite da manutenção da ordem pública. Protestar é um exercício de cidadania, mas a destruição do patrimônio alheio, seja ele privado ou público, é puro vandalismo e isso não pode ser aceito como normal.

O que ocorreu recentemente em Porto Alegre repete-se agora em São Paulo, com um grau ainda maior de conflito. Na semana passada, manifestantes e policiais ficaram feridos depois de confrontos de rua que também resultaram em prédios e veículos danificados, bloqueio de trânsito e até a destruição de uma banca de revistas. A polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e efetuou pelo menos 15 prisões. O pano de fundo do enfrentamento é o mesmo: inconformismo de setores da sociedade, especialmente de estudantes e militantes políticos, com a elevação das tarifas do transporte urbano.

No rastro dessa insatisfação, que é legítima, vêm se formando no país movimentos que se dizem apolíticos, mas que abrigam os integrantes mais radicais das organizações partidárias. Sob denominações criadas ao sabor do momento, esses grupos congregam ao mesmo tempo cidadãos bem-intencionados e profissionais da desordem, que muitas vezes se aproveitam da ocasião para levar à prática seus maus instintos. É uma pena, pois o vandalismo desmerece até mesmo causas nobres, que poderiam contar com a simpatia da população.

A questão das tarifas públicas merece mesmo ser acompanhada de perto pela sociedade, seja através da representação parlamentar ou mesmo de forma direta, por indivíduos e movimentos sociais. Mas precisa ser analisada com mais tecnicismo e menos emocionalismos. Se temos inflação, se os insumos necessários à execução do serviço de transporte sobem com frequência, é justo que os preços das tarifas sejam periodicamente revisados, porém dentro de critérios transparentes e acessíveis aos usuários. Protestar, cobrar dos governantes e chamar a atenção da população para injustiças são ações democráticas. Porém, sujar prédios públicos, quebrar vidraças e depredar equipamentos são atos de irracionalidade que só depõem contra aqueles que os praticam.

Fica evidente, portanto, que os protagonistas da baderna precisam ser contidos, até mesmo para que os cidadãos conscientes, que querem usar o direito constitucional de questionar seus governantes, possam ser ouvidos melhor e transformar seus pleitos em causas coletivas.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

PROCESSO CONTRA MANIFESTANTES DE PROTESTO

FOLHA.COM 07/06/2013

Metrô processará manifestantes da av. Paulista; moradores estudam ação

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 17h20.

O Metrô de São Paulo informou que vai acionar a Justiça para ressarcir os danos ao patrimônio público causados durante um protesto contra o aumento das tarifas do transporte público realizado na avenida Paulista na noite de ontem. A companhia estimou os prejuízos em R$ 73 mil, sendo R$ 68 mil em vidros quebrados e R$ 5.000 com luminárias danificadas.

Segundo o Metrô, as estações Brigadeiro e Trianon-Masp, da linha 2-verde, tiveram os vidros de seus acessos quebrados e, junto com a estação Consolação, foram fechadas enquanto os manifestantes passavam pela região, para evitar riscos aos usuários. A estação Vergueiro, da Linha 1-azul, teve um de seus acessos fechado devido à depredação em seu interior, que resultou em um agente de segurança do Metrô ferido levemente.

A Associação Paulista Viva também estuda abrir um processo judicial contra os organizadores do protesto na região central de São Paulo, conforme apurou a Folha. A associação informou que pretende ressarcir o dinheiro gasto na reconstrução das cabines de segurança usadas pela Polícia Militar, conhecidas como supedâneos.

A associação afirmou que defende os direitos da livre expressão, mas "repudia veementemente os atos de vandalismo e depredação de patrimônio público e privado ocorrido ontem".

A Paulista Viva registrou que parte de seus bens foram depredados. As cabines são da associação foram destruídos ou danificados após serem tombados, pichados ou incendiados.

Em nota, o Movimento Passe Livre, que organizou o protesto, disse que exerce seu "legítimo direito de se manifestar" e as depredações só começaram quando os manifestantes sofreram "repressão brutal" e violenta da Polícia Militar. O grupo disse ainda que não incentiva a violência, mas "é impossível controlar a frustação e a revolta de milhares de pessoas com o poder público e com a violência da Polícia Militar".

Há um novo protesto marcado para hoje, às 17h, no largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.


Leandro Moraes/UOLAnteriorPróxima
Manifestantes protestam contra o aumento tarifas de ônibus, metrô e trens da capital paulista; ao menos 30 ficaram feridas durante protesto, segundo manifestantes Leia mais

CONFRONTO

Após bloquear avenidas, o protesto de ontem terminou em confronto com a Polícia Militar e atos de vandalismo na região central.

O ato levou à interdição de vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista na hora de pico. Estações de metrô foram depredadas e fecharam.

No centro e na Paulista, manifestantes quebraram vidros e placas, picharam muros e ônibus, atearam fogo em lixo, provocaram danos a um shopping e ao Masp.

O Metrô estimou o prejuízo em R$ 73 mil e que vai "responsabilizar e acionar judicialmente os autores por danos ao patrimônio público, para que os contribuintes e demais usuários não tenham que arcar com o custo desse lamentável episódio".

REAJUSTE

As passagens dos ônibus, metrô e dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que eram R$ 3, foram reajustadas para R$ 3,20 no último domingo (2). O reajuste foi de 6,7%. No caso do ônibus, cujo valor da passagem não era corrigida desde janeiro de 2011, o valor ficou bem abaixo da inflação acumulada no período.

O IPCA, medido pelo IBGE e base da inflação oficial, acumulou 15,5% desde o último aumento da tarifa. O IPC, da Fipe-USP, 12,8%. Os índices foram calculados até abril --os números de maio não foram fechados.

No caso do Metrô e dos trens, o último reajuste ocorreu em fevereiro de 2012. Desde então, o IPCA acumulou 7,8%, e o IPC, 5,9%. (FELIPE SOUZA)

AUMENTO DE PASSAGENS EM SP: PROTESTO E CONFRONTO

FOLHA.COM 07/06/2013 - 19h55

Manifestantes deixam a marginal, mas continuam ato em Pinheiros

DE SÃO PAULO
Atualizado às 20h22.

A marginal Pinheiros foi liberada para o tráfego por volta das 19h40 desta sexta-feira após um grupo de cerca de 4.000 pessoas invadir a via durante um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trem. O ato, porém, continua por ruas da região Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

Por volta das 19h40, os manifestantes estavam na Professor Frederico Hermann Júnior, que estava totalmente bloqueada. O grupo havia se concentrado ainda no início da tarde na avenida Faria Lima e seguiu pela avenida Eusébio Matoso até a marginal Pinheiros. Eles não informaram, porém, qual o destino final do protesto.

Policiais que acompanham os manifestantes usam bombas de gás lacrimogênio e tiros de borrachas para dispersar os cerca de 4.000 manifestantes . A Via Quatro, que administra as estações da linha 4-amarela do metrô, por onde os manifestantes passaram, disse que não houve nenhum dano no local.

Os manifestantes fazem pichações por onde passa a manifestação. A fumaça das bombas de gás lançadas pela PM chegou a se espalhar em direção à estação Pinheiros do metrô, lotada de passageiros que assistiam à distância a manifestação.

Ontem, o Movimento Passe Livre promoveu uma manifestação com o mesmo tema na região central da cidade. O protesto, porém, acabou resultando em confronto e deixou um rastro de vandalismo em avenidas como a 23 de Maio, a Nove de Julho e Paulista. Com isso, 15 pessoas foram detidas.

Segundo Marcelo Hotmimsky, 19, um dos organizadores da manifestação, os atos que ocorreram na Paulista foram consequência da repressão policial. "A partir do momento que a polícia reprime, a situação fica incontrolável. Os manifestantes foram atingidos por bombas e balas de borracha. Eles apenas se defenderam".


Fabio Braga/FolhapressAnteriorPróxima
Manifestante picha escada rolante durante protesto

TRÂNSITO

A cidade de São Paulo já registrou mais cedo a terceira maior lentidão do ano. Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), eram 226 km de filas às 18h30, o que corresponde a 26,1% dos 868 km de vias monitoradas. O mesmo índice se repetiu as 19h.

Por volta das 20h, a lentidão já tinha caído, mas permanecia acima da média. Eram 151 km de retenção, o que representa 17,4% dos 868 km de vias monitoradas. A média do horário é de 13,7%.

A via mais congestionada às 20h era a marginal Tietê, com 8,8 km de retenção na pista local, no sentido Ayrton Senna. As filas se estendiam da ponte Julio de Mesquita Neto até a Jânio Quadros. Já na pista expressa, havia mais 8,7 km de filas no mesmo trecho.

Apesar do congestionamento elevado, a CET afirmou não haver registro de ocorrências relevantes no horário, além do protesto.

O congestionamento dessa sexta só fica atrás dos 261 km de filas registrados as 18h30 do dia 08 de março, quando as chuvas provocaram alagamentos e quedas de árvores, e os 235 km de retenção registrados às 19h do dia 28 de março, devido à saído do feriado de Páscoa.

CONFRONTO

O protesto ontem deixou um rastro de vandalismo pela região central de São Paulo. A avenida Nove de Julho ficou com muros e pontos de ônibus pichados. Já na avenida Paulista houve novas pichações, vandalismo em bancas de jornal e confronto entre manifestantes e policiais militares.

O shopping Pátio Paulista foi fechado durante o protesto. Segundo a assessoria, o centro comercial fechou por volta das 21h10 --50 minutos antes do normal--, quando um grupo de manifestantes entrou no local e acabou danificando um dos dois carros que estavam expostos na entrada, como parte da promoção de Dia dos Namorados.

O Metrô informou, em nota, que os vidros dos acessos às estações Brigadeiro e Trianon-Masp, da linha 2-verde, e houve vandalismo também na estação Vergueiro, na linha 1-azul. As ações nessa última resultaram ainda em um segurança do metrô ferido.

As três estações e a estação Consolação chegaram a fechar durante o protesto. Apesar disso, o sistema funcionou normalmente. O cálculo de todos os prejuízos sofridos pelo metrô ainda serão calculados.

O Metrô estimou o prejuízo em R$ 73 mil e disse que vai "responsabilizar e acionar judicialmente os autores por danos ao patrimônio público, para que os contribuintes e demais usuários não tenham que arcar com o custo desse lamentável episódio".

domingo, 26 de maio de 2013

MARCHA DAS VADIAS PEDE O FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

ZERO HORA 26/05/2013 | 17h19

Marcha das Vadias em Porto Alegre pede o fim da violência contra mulheres

Manifestação reuniu grupo no Parque da Redenção e caminhada seguiu pelas imediações do bairro


Manifestantes usaram o corpo e cartazes para pedir igualdade de direitos
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS


A segunda edição da Marcha das Vadias em Porto Alegre, neste domingo, pediu o fim da violência contra a mulher, equiparação salarial e legalização do aborto. O grupo saiu do Monumento ao Expedicionário, no Parque da Redenção, e caminhou com faixas e cartazes em direção a Avenida Osvaldo Aranha, que chegou a ser bloqueada para o trânsito.

Este ano, os protestos incluíram o deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e suas posições polêmicas sobre casamento gay, negros e mulheres. As manifestantes também usaram o próprio corpo para reivindicar respeito e liberdade. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em 2012, mais de 2,5 mil casos de violência contra a mulher foram registrados.

A manifestação foi realizada neste fim de semana em outras cidades do país e em pelo menos sete capitais, além de Porto Alegre: São Paulo, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, São Luiz e Aracaju. Em São Paulo, a terceira edição da Marcha das Vadias ocorreu no sábado e ocupou as ruas do centro da cidade incentivando as mulheres a denunciar a violência a que são submetidas. A passeata, que partiu da Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, chegou a ocupar cinco quarteirões da Rua Augusta, a caminho da Praça Roosevelt, onde o ato se encerrou.

A Marcha das Vadias foi criada no Canadá, em 2011. Após uma série de estupros na Universidade de Toronto, um policial disse que as mulheres poderiam evitar ocorrências como essa se não se vestissem como vadias.Três mil pessoas tomaram as ruas da cidade em um manifesto denominado SlutWalk, no Brasil conhecido como Marcha das Vadias.