A mobilização social é um vigoroso instrumento de defesa de direitos e poderoso para pressionar os Poderes no exercício de seus deveres, obrigações, finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, zelo dos recursos públicos e gestão voltada à qualidade de vida do povo. Não existe um futuro promissor para uma nação de cidadãos servis e acomodados que entrega o poder aos legisladores permissivos, a uma justiça leniente e aos governantes negligentes, perdulários e ambiciosos que cobram impostos abusivos, desperdiçam dinheiro público, sonegam saúde, submetem a educação, estimulam a violência, tratam o povo com descaso e favorecem a impunidade dos criminosos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

INTRODUÇÃO AO DIREITO

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. 

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila: 

- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, Senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor. 

Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. 

Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada. 

- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor 

Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta: 

- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça. 

E agora, para que serve a justiça? 

Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. 

Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Nelson - Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. 


Via Jaqueline Piloneto

terça-feira, 17 de setembro de 2013

COMERCIANTE QUEREM SER INDENIZADOS

FOLHA.COM 17/09/2013 - 12h03

Comerciantes do Rio querem indenização do Estado por depredações em protestos


DO RIO



Comerciantes cariocas que tiveram suas lojas depredadas durante as manifestações ocorridas no últimos três meses querem que o governo do Estado do Rio os indenize.

A ideia, proposta pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), foi divulgada por meio de nota nesta terça-feira (17). A ACRJ informou que pediu ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que considerasse os casos de violência contra patrimônio privado na cidade como situação de calamidade pública, o que permitiria que os comerciantes fossem ressarcidos legalmente por eventuais prejuízos com as manifestações.

Sem entrar em detalhes de como fez o cálculo, a ACRJ afirmou que o fechamento do comércio em dias de manifestações gera um prejuízo para o setor que chega a R$ 350 milhões, montante que representa 50% do faturamento diário do segmento na cidade. A entidade não informou quanto os comerciantes associados já tiveram de prejuízo devido especificamente às depredações de vitrines e saques.

A ACRJ ressaltou que enxerga as manifestações populares como uma "demonstração da importância do regime democrático para o fortalecimento da sociedade", mas condenou veementemente o que considerou "vandalismo e bandidagem".

A associação destacou ainda que cabe ao Estado garantir o direito à livre manifestação sem se descuidar das pessoas e estabelecimentos públicos e privados.

"A Associação Comercial do Rio de Janeiro tem oferecido apoio aos comerciantes que sofreram com os atos criminosos perpetrados durante as manifestações que marcaram a cidade e o país nos últimos meses. Todos nós sabemos que cabe ao Estado garantir o direito fundamental à livre manifestação sem se descuidar da segurança, tanto das pessoas quanto dos estabelecimentos públicos e privados. Diante da situação de total prejuízo que muitos comerciantes se encontram, sugeri ao governador que trate o assunto como calamidade pública, o que permitiria legalmente uma ação indenizatória rápida aos comerciantes. O governador demonstrou simpatia à ideia e ficou de avaliar", disse Leal, por meio de nota.

Reynaldo Vasconcelos/Futura Press/Folhapress

Manifestantes protestam contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no fim do mês passado


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EXERCÍCIO DE INTOLERÂNCIA E AUTORITARISMO



‘Anarcofascistas’ esvaziaram as manifestações melhor que qualquer tropa do Choque. São inimigos da democracia travestidos de progressistas



EDITORIAL
O GLOBO
Publicado:15/09/13 - 0h00


Desde meados de junho, quando se ergueu a onda de manifestações de rua, este ciclo de protestos cumpriu uma trajetória específica e com diferentes fases. Recorde-se que a centelha partiu de um grupo ligado a frações de esquerda radical, sob o abrigo da bandeira pelo passe livre no transporte público, o MPL. Uma ação de violência despropositada da PM de São Paulo, contra um grupo de jovens do movimento, funcionou como segunda e mais poderosa centelha, para atrair a simpatia e a participação de uma nova, e maior, leva de manifestantes, com a visível participação de extratos das classes médias, a “nova” e a “velha”.

Ganhou força a defesa do apartidarismo nos protestos, e a pauta levada às ruas, antes centrada nos transportes públicos, terminou ampliada e, por isso, ganhou importância política. Deficiências generalizadas na infraestrutura, a má prestação de serviços na Educação e Saúde, a corrupção, muitas dessas denúncias resumidas na reivindicação de uma ação do Estado no “padrão Fifa”, frequentaram manifestações então já estendidas às capitais e cidades importantes do interior. Coerentes com este clima, cresceram protestos contra os gastos no projeto da Copa do Mundo.

No auge do apartidarismo do movimento, forças políticas com tradição de rua — sindicatos, PT, UNE e outras organizações — chegaram a ser impedidas de entrar em passeatas.

Toda essa histórica demonstração de vitalidade da sociedade brasileira, a ponto de surpreender correntes político-partidárias ligadas a mobilizações ditas de massa, tomou outro rumo, e se enfraqueceu, com a crescente atuação de vândalos, biombo para saqueadores do comércio.

Eles foram decisivos para esvaziar as ruas dos manifestantes da fase de crescimento dos protestos, quando a agenda de reivindicações cresceu. No Rio, os ataques à prefeitura, à Assembleia Legislativa (Alerj) e a depredação do Leblon se constituíram no marco desta última fase de recuo dos protestos.

Críticas a políticas públicas foram substituídas pela violência em estado bruto — a violência pela violência. Alguns segmentos da chamada esquerda chegaram a simpatizar com os black blocs da vida, inicialmente autointitulados “seguranças” das manifestações. Até “famosos” trocaram acenos com a turba de preto.

Na verdade, o fenômeno nada mais é do que mais uma ameaça à democracia e às liberdades civis vindas de forças progressistas apenas na aparência. Às vezes, nem isso.

O nacional-socialismo também oferecia o paraíso na terra, e o desfecho é bem conhecido. Uma espécie de “anarcofascismo” — autoritário na essência, como teria de ser — sufocou as manifestações com mais eficiência que qualquer tropa de choque.

Serve de demonstração em tempo real da existência de inimigos da democracia e da tolerância disfarçados de forças renovadoras.


domingo, 8 de setembro de 2013

A POLÍTICA ESTÁ ENTRANDO NA VIDA DAS PESSOAS

O ESTADO DE S.PAULO 07 de setembro de 2013 | 15h 31

Análise

Maria Aparecida de Aquino, professora do Departamento de História da USP


O poder de apelo das redes sociais é fenômeno novo, que não é brasileiro, é mundial. Para ficarmos só no exemplo mais conhecido, a Primavera Árabe também foi organizada via internet. O que nos cabe fazer, hoje, é perguntar por que as pessoas atendem a esses chamados das redes.

Tenho uma história de participação no passado, de luta sindical, e me lembro dos convites do tipo "você aí parado, também é explorado!" As pessoas viam as manifestações, mas não aderiam. E agora, de certa forma, estão aderindo. As transformações tecnológicas criam mudanças por toda parte e não podemos deixar de atentar para esse mundo novo e tentar entender o que ele representa.

Esse fenômeno se mescla com outro que cabe considerar - uma forte revisão da historiografia que, nas últimas décadas, faz uma reavaliação da história do Brasil. Trata-se de algo que ocorre, também, em outras regiões do mundo, como a Europa e os Estados Unidos. Versões únicas da História, como a de considerar a chegada dos portugueses como o "descobrimento" do Brasil, ou pensar que a nossa independência precisaria ser feita por um herdeiro da Coroa portuguesa que levantou a espada e gritou "independência ou morte", têm sido vigorosamente contestadas por esse novo modo de entender e escrever a História. E esse modo de entender não mais se limita à versão dos vencedores.

Tomemos o simples exemplo da nossa independência, comemorada neste Sete de Setembro. Foi um episódio comandado, literalmente, pelo herdeiro da Coroa Portuguesa - algo como contratar a raposa para tomar conta do galinheiro, se cabe aqui uma avaliação mais coloquial. Quando isso se dá, escamoteiam-se, de modo cruel, todas as manifestações populares pela independência já feitas antes. Para mencionar as mais significativas, a Inconfidência Mineira em 1789, a conjuração baiana de 1798, a revolução pernambucana de 1817 - movimentos que não só mostravam o desejo de independência mas também já continham o ideal republicano.

O que se tem é este Sete de Setembro, uma data feita para escamotear o real processo de independência do povo brasileiro e sua presença efetiva nos movimentos sociais. Talvez se possa dizer que o Brasil que agora vai às ruas quer acabar com as histórias da carochinha - as de antes e de agora.

Com ajuda dessa nova historiografia, que já marca presença nos livros didáticos, o País vem construindo um processo que vai contra a maré do "ter vergonha de ser brasileiro". O Brasil ganha espaço, como os outros países emergentes. É convocado para todos os grandes fóruns mundiais. Somos neste início do século 21 uma nação que importa no contexto internacional.

Não acho que daqui a 30 anos essas redes sociais sejam vistas como o grande fenômeno do começo do século 21. Mas elas vieram para ficar, e isso é algo que não podemos deixar de considerar. É preciso entender seu significado, como elas podem ajudar a melhorar as condições do povo brasileiro. Graças a elas, pessoas sem participação ou vinculação partidária de repente estão em passeatas. Essas redes nos informam que a política está entrando na vida das pessoas.

sábado, 7 de setembro de 2013

MANIFESTANTES INVADEM ÁREA DE DESFILE MILITAR NO RIO


Polícia usa bombas de gás lacrimogêneo para conter manifestantes. Cinco pessoas foram presas em tumulto na Avenida Passos. Manifestantes jogaram bomba em extinto batalhão da PM


DOMINGOS PEIXOTO
EMANUEL ALENCAR
SIMONE CANDIDA
COM CBN E GLOBO NEWS
O GLOBO
Atualizado:7/09/13 - 10h30

Policiais tentam conter manifestante mascarado no Centro Domingos Peixoto / Agência O Globo


RIO - Manifestantes que fazem uma passeata no Centro do Rio invadiram a Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, onde é realizada a parada militar do Sete de Setembro. Eles acessaram a pista pela Praça da República depois de terem sido barrados na Avenida Passos, onde houve um tumulto com policiais militares. Homens do Batalhão de Choque tentaram conter os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo. Apesar da confusão, o desfile cívico continua. A passeata seguiu da Avenida Passos pelas ruas do Centro Histórico. No caminho, manifestantes jogaram uma bomba dentro do extinto 13º BPM (Praça Tiradentes). Os policiais responderam com pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo. A vidraça de uma agência bancária foi atingida por uma pedra. Cerca de 300 manifestantes participam da passeata. Devido à manifestação, o acesso Campo de Santana da Estação Central do metrô foi fechado.

Depois do tumulto na Avenida Passos, cinco pessoas foram presas. Um dos jovens estava com um estilingue e um desfragmentador de maconha. Impedidos de acessar a Presidente Vargas pela Avenida Passos por causa do bloqueio militar para a parada de Sete de Setembro, os manifestantes seguiram para a Praça Tiradentes e Rua Visconde de Rio Branco em direção ao Campo de Santana.

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanham o ato, informaram que um deles foi preso por desacato, outro por agressão. Um quarto detido usava máscara de gás. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas durante a confusão.

Um dos feridos foi atingido na cabeça e socorrido por estudantes de medicina que apoiam o protesto. Francisca de Assis Barbosa, de 37 anos, foi levada a pé para o Hospital municipal Souza Aguiar. Ela disse ter sido atingida por cassetete de um PM.

- Eles (os PMs) começaram a bater num homem que estava perto de mim e eu acabei sendo atingida na cabeça - disse.

O manifestante Hugo Andrade Pontes também foi encaminhado para o Souza Aguiar depois de ser atingido pela arma de choque de um PM. Outra pessoa inalou gás de pimenta e passou mal. A vítima também foi atendida por estudantes de medicina. Já o fotógrafo do jornal O Dia, Alessandro Costa, foi atingido por um chute do policial militar.

Na Praça Tiradentes, o fotógrafo Marcos de Paula, do jornal Estado de São Paulo, foi ferido por uma bomba de gás lacrimogênio. Ele disse que a bomba foi jogada pela polícia, quicou no chão e grudou no seu braço, causando uma queimadura.

Advogados disseram que os três presos foram levados para a 17ª DP (São Cristóvão). De acordo com a PM, no entanto, o manifestante que estava com um estilingue foi levado para a 5ª DP (Gomes Freire) para prestar esclarecimentos. O advogado Luan Cordeiro, do Grupos Habeas Corpus, disse que as prisões foram arbitrárias. Ele afirmou que os ativistas presos usavam máscaras, mas se identificaram às autoridades policiais.


- Mesmo assim eles foram levados para a delegacia. O uso de máscara não está proibido, desde que se identifiquem - reforçou o advogado.

O tenente-coronel Mauro Andrade, comandante do Grupamento de Policiamento de Proximidade em Multidões (GPPM), afirmou que a Polícia Militar está cumprindo uma ordem judicial da 17ª vara criminal do Rio de Janeiro, que estabelece que qualquer manifestante que estiver usando máscaras deverá ser encaminhado para a delegacia, onde passará por identificação criminal.


- Não está proibido usar máscara, mas quem estiver usando será encaminhado para a delegacia e liberado se estiver tudo certo. É uma determinação da Justiça. Estamos cumprindo - afirmou.

Segundo informações da Rádio CBN, houve dois princípios de confusão na Avenida Passos, esquina com a Presidente Vargas. O tumulto teria começado depois que um manifestante que estava mascarado foi abordado. Revoltados, manifestantes cercaram os policiais militares, que usaram armas de choque e spray de pimenta. O jovem detido alega, no entanto, que estava caminhando pacificamente à procura do irmão quando foi parado por policiais.

Ao chegarem na Praça Tiradentes, os manifestantantes se econtraram com um grupo de evangélicos que fazia um protesto em defesa do pastor Marcos Pereira, preso por estupro.

MENSAGEM ÀS RUAS


ZERO HORA 07 de setembro de 2013 | N° 17546

EDITORIAIS

Pelas características atípicas deste ano, o 7 de Setembro deverá ser assinalado hoje pelos tradicionais desfiles mas também por manifestações de brasileiros que, desde junho, saíram às ruas pedindo qualidade nos serviços públicos, ética na política, transparência e respostas objetivas e imediatas à sociedade por parte dos gestores oficiais. Desde então, governantes e instituições mais pressionadas pelo anseio de mudança vêm tomando ações concretas, algumas delas nem sempre plenamente aceitas tanto por quem as pleiteia diretamente quanto por segmentos da sociedade. Importa que o Brasil confrontado com a entrada na cena política de uma geração antes tida por mais afeita ao virtual do que ao real e à qual devemos a lição de que essas duas esferas estão indissoluvelmente unidas vive um novo momento. Não é mais possível retroceder para antes de junho de 2013, assim como não se pode revogar setembro de 1822. Há novas demandas sobre a mesa, e somente a partir de um debate público digno desse nome o país terá condições de encontrar um caminho em meio à realidade que se descortina aqui e pelo mundo afora.

Por isso, o Dia da Independência não deveria ser visto como uma oportunidade para confrontos, muito menos para agressões pessoais e depredações de patrimônio público e privado como as que foram infelizmente registradas nos últimos meses. A mais importante data cívica do país precisa servir para uma reafirmação clara daquilo que os brasileiros querem e daquilo que os governantes e instituições de maneira geral podem de fato fazer. Haja manifestações, mas ordeiras. Haja protestos, mas pacíficos. Haja policiamento, mas feito com profissionalismo e eficácia, sem recurso desnecessário à violência. Haja, sobretudo, oportunidade para que todos, jovens e velhos, adultos e crianças, reflitamos sobre o sentido profundo das escolhas de nossos antepassados, que, num momento igualmente crítico da história, optaram por fazer desta terra um Estado-nação soberano, regido por leis que davam surpreendente ênfase à liberdade e à cidadania. Naquela época, como hoje, fortes eram as correntes que propugnavam uma volta ao passado, e o Brasil soube repudiá-las em favor do futuro de seus filhos. Esses filhos somos nós, e esse futuro é hoje. Por isso, aqueles homens e mulheres para os quais a Independência era um sonho merecem a nossa gratidão.

De alguma forma, isso explica o fato de a presidente Dilma Rousseff ter se preocupado em aproveitar o momento para um balanço dos pactos com os quais se propôs no auge das manifestações – com ênfase, obviamente, a ações na área da saúde como o Mais Médicos. O Dia da Pátria pode se constituir também numa oportunidade de avaliação sobre até que ponto os gestores públicos, a começar pela presidente da República, entenderam o recado e irão conseguir demonstrar isso na sua mensagem às ruas.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

INTEGRANTES DO BLACK BLOCK SÃO PRESOS POR FORMAÇÃO DE QUADRILHA



O Estado de S. Paulo, 04 de setembro de 2013

Integrantes do Black Bloc no Rio são presos e indiciados por formação de quadrilha armada. Um dos integrantes do grupo também foi indiciado por pedofilia

Marcelo Gomes

RIO - Três adultos e dois menores acusados de administrar a página "Black Bloc RJ" numa rede social foram presos e indiciados pela Polícia Civil do Rio na manhã desta quarta-feira (4) pelos crimes de incitação à violência e formação de quadrilha armada. Um dos maiores também foi indiciado por pedofilia, já que foram encontradas imagens de sexo com crianças em seu computador.

As investigações tiveram início em julho, quando a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) instaurou inquérito para apurar os Black Bloc. No dia 6 daquele mês, foi publicado na página do grupo um passo a passo de como fabricar um artefato de ação perfurante com múltiplas pontas (com pregos), conhecido como jacaré ou ouriço. Segundo a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, o objetivo do artefato é ferir pessoas ou furar pneus de veículos para roubos de carga.

A Justiça expediu nessa terça mandados de busca e apreensão nas residências de seis acusados, que foram cumpridos nesta manhã. Os agentes estiveram nos bairros do Cachambi e da Abolição, na zona norte do Rio, além dos municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana. Um dos seis suspeitos não foi localizado porque estaria fora do país.
Nas residencias dos investigados, os policiais encontraram um "jacaré", uma faca, máscaras de gás e do filme V de Vingança (muito usada em manifestações), luvas, bonés e outras vestimentas pretas (usadas por Black Bloc), além de computadores e celulares.

Em depoimento na DRCI, os cinco detidos teriam confessado serem os administradores da página, segundo Martha Rocha.

"Eles aderem à conduta de convocar pessoas a fazerem parte das manifestações e de criarem esse instrumento de ação perfurante. Como hoje foi encontrado um artefato desses e uma faca, a Polícia Civil entende que os cinco integram uma quadrilha armada, que é crime inafiançável. Eles estão presos em flagrante e o caso será encaminhado à Justiça", explicou a chefe de polícia.



G1 - Black Blocs presos vão responder por formação de quadrilha armada. Eles também são acusados de crime de incitação à violência. Três pessoas foram presas e dois menores, apreendidos. Um dos integrantes também é suspeito de crime de pedofilia

LEONARDO BARROS
ANA CLÁUDIA COSTA

COM G1
O GLOBO
Atualizado:4/09/13 - 17h22



Jovens do grupo Black Blocs são levados para a delegacia Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO - Uma operação deflagrada pela Delegacia de Repressão à Crimes de Informática (DRCI) para desarticular o grupo conhecido como Black Bloc terminou com três presos e dois menores apreendidos nesta quarta-feira. O grupo é acusado de promover baderna e atos de vandalismo durante as manifestações que vêm sendo realizadas desde junho. Os detidos assumiram na delegacia que administravam a página do grupo no Facebook. De acordo com a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, eles responderão a inquérito por formação de quadrilha armada e incitação à violência. Um dos presos também foi autuado por pedofilia porque em seu computador foram encontradas fotografias de menores praticando atos sexuais. Os crimes são inafiançáveis.

Os presos foram transferidos durante a tarde para o presídio de Guaxindiba, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e não para Bangu, como diz a última postagem na página do grupo no Facebook. "Essa será a ultima publicação. Os adms (sic) que foram presos, estão sendo levados para Bangu", diz a mensagem. Os menores foram encaminhados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de onde serão apresentados à Vara da Infância e Juventude.

De acordo com a delegada Martha Rocha, o grupo foi autuado em formação de quadrilha armada porque com eles foram encontrados facas, e um artefato perfurante feito com pregos e cola durepox, que é chamado de “jacaré” ou “ouriço” e é utilizado para jogar polícia ou mesmo furar pneus de automóveis. Na página do Facebook, com data de 03 de julho, o grupo ensina como fabricar tal artefato.

— Acredito que eles utilizavam esse artefato de ação perfurante com múltiplas pontas conhecido como jacaré ou ouriço é feito de pregos nas pontas e pode ferir manifestantes, jornalistas, policiais. Há na internet uma postagem pedindo para que cadas um fizesse dez instrumentos desses. A Polícia Civil sustenta que as pessoas estão incitando violência. Por isso serão autuados em quadrilha armada. Eles também faziam convocação para o manifesto de 7 de setembro— explicou a chefe de Polícia Civil.

A operação para prender os integrantes do Black Bloc começou no final da madrugada. Cerca de 30 policiais da DRCI com o auxílio da Core e de outras especializadas participaram da ação que visava cumprir seis mandados de busca e apreensão. Equipes se dividiram e efetuaram buscas em Niterói, São Gonçalo, Cachambi, Abolição, Maricá e Tribobó.

Na casa dos jovens policiais apreenderam computadores, celulares, facas, jacarés, máscaras do Anonymous, máscaras de gás entre outros objetos. Os presos , de acordo com a chefe de polícia, fazem parte do grupo dos 21 manifestantes já identificados com nomes e endereços, conforme disse o delegado Ruchester Marreiros durante entrevista no Ministério Público.

Na delegacia, ao prestar depoimento todos os cinco confirmaram participar da página do Black Bloc na internet. Um deles, de 21 anos, assumiu que administrava a página do grupo na internet. Todos, segundo a polícia, são jovens de classe média. Dos maiores presos em flagrante dois tinham o nível médio completo e outro é universitário. O administrador do grupo, segundo policiais, tinha a intenção de ingressar no grupo de operações especiais do Exército.

O advogado da Comissão de Direitos Humanos da OAB que defende os jovens, Gustavo Proença disse ontem que a princípio a polícia só tinha mandado de busca e apreensão para levar computadores, celulares e laptops da casa dos jovens.

— Não havia mandado de prisão. Ainda vou ler o inquérito para ver o motivo da prisão em flagrante — disse.

A delegada Martha Rocha explicou que desde de julho um inquérito instaurado na Polícia Civil apura a atuação do grupo Black Bloc durante as manifestações populares. Ela acrescentou que as investigações continuarão na tentativa de prender outros integrantes do grupo. Na operação desta quarta a polícia não conseguiu prender um dos acusados porque o mesmo não estava em casa.

Página do MP fora do ar

Em nota oficial emitida na tarde desta quarta-feira, o Ministério Público do Rio afirmou que o grupo de ativistas Anonymous assumiu a autoria dos ataques a sua página oficial. O site está fora do ar desde as 9h, como medida de proteção, e a Secretaria de Tecnologia da Informação e de Comunicação (STIC) "está tomando as providências cabíveis para proteção e restabelecimento desses serviços", informou o MP. Não houve comprometimento do banco de dados da instituição.