A mobilização social é um vigoroso instrumento de defesa de direitos e poderoso para pressionar os Poderes no exercício de seus deveres, obrigações, finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, zelo dos recursos públicos e gestão voltada à qualidade de vida do povo. Não existe um futuro promissor para uma nação de cidadãos servis e acomodados que entrega o poder aos legisladores permissivos, a uma justiça leniente e aos governantes negligentes, perdulários e ambiciosos que cobram impostos abusivos, desperdiçam dinheiro público, sonegam saúde, submetem a educação, estimulam a violência, tratam o povo com descaso e favorecem a impunidade dos criminosos.

terça-feira, 17 de março de 2015

A PRAÇA AGORA É DE TODOS



ZERO HORA 17 de março de 2015 | N° 18104



MARCELO RECH*



Menos pela surpreendente envergadura e mais pelo ineditismo ideológico, assistiu- se em 15 de março de 2015 à maior novidade em praça pública do Brasil nos últimos 38 anos. Desde a retomada dos protestos estudantis contra o regime militar, em 1977, as ruas do Brasil eram um território delimitado pelas tintas da esquerda. De facções de linha trotskista a partidos que flertavam com o socialismo europeu, convencionara-se que apenas os matizes esquerdistas poderiam mostrar abertamente sua face país afora.

À “direita” – um carimbo em quem não se alinhasse com a esquerda –, estava reservada a vergonha de aparecer em público e enunciar seu nome em voz alta. Era compreensível. Foi a esquerda a sufocada pelos anos de chumbo, e sua reaparição no cenário político equivalia ao ar aspirado com sofreguidão pelo afogado ao retornar à superfície. A partir de 1980, muito por mérito dos barbudos do PT, a esquerda que já havia arquivado a luta armada foi avançando das ruas, dos sindicatos e dos veículos de comunicação em direção às urnas. Entre seu primeiro prefeito de capital eleito, Maria Luisa Fontenele, em 1985 (que acabaria expulsa dois anos depois), à posse do quarto mandato presidencial consecutivo, o PT e seus satélites nos movimentos sociais governaram as ruas.

Goste-se ou não, esta era acabou no domingo. Em 2013, houve um ensaio de que a esquerda tradicional perdia espaço nas ruas, mas aquelas massas não tinham rumo claro nem amálgama político, e logo o fenômeno se dissolveu. As multidões de 15 de março exibiram um posicionamento distinto. Os milhões que ocuparam as cidades formam uma frente contra o PT e o que ele, em uma sequência de erros, passou a simbolizar no imaginário de parte considerável do Brasil: corrupção e privilégios, originados na explosiva receita de partido, aparelhamento do Estado e sede incontrolável de poder.

Que Brasil emergirá desta salada ideológica nas ruas tingidas de vermelho e agora de verde-amarelo não se sabe. O fato é que, à esquerda, ao centro ou à direita, a praça deixou de ser reserva de mercado de uma corrente de pensamento. E esta é mais uma das belezas da democracia.


*JORNALISTA DO GRUPO RBS

segunda-feira, 16 de março de 2015

GOVERNO PROMETE AÇÕES ANTICORRUPÇÃO PRESSIONADO POR MAIS DE UM MILHÃO NAS RUAS

ZERO HORA 15/03/2015 | 20h31

Mais de um milhão vão às ruas, e governo promete ações anticorrupção. Em Porto Alegre, cerca de cem mil pessoas participaram do protesto



Em Porto Alegre, cerca de 100 mil foram às ruas, conforme a BM. Já em São Paulo, polícia estimou presença de um milhão Foto: Montagem sobre fotos de Ricardo Duarte e Diego Vara / Agência RBS

Uma série de protestos contra o governo de Dilma Rousseff e a corrupção marcaram o domingo em diversas cidades do país. O ato mais numeroso foi registrado em São Paulo, onde um milhão de pessoas foram às ruas, conforme a Polícia Militar. Em Porto Alegre, cerca de 100 mil marcharam do Parcão à Redenção.

Após os atos, o governo federal prometeu anunciar nos próximos dias um conjunto de medidas de combate à corrupção, durante um pronunciamento dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, realizaram um pronunciamento para divulgar a posição oficial do governo.

Grande parte dos manifestantes exigiu o impeachment da presidente, reeleita por uma margem de 3%. Muitos também pedem a intervenção militar para acabar com mais de 12 anos de governo petista, um paradoxo em um dia em que se comemora, justamente, os 30 anos da volta da democracia ao Brasil após a longa ditadura iniciada em 1964.


Veja mais imagens dos protestos no país:


Quem são os articuladores nacionais do protesto contra Dilma Em São Paulo, foi praticamente impossível caminhar entre a multidão que lotou os 4 km da Avenida Paulista. Com cerca de um milhão de participantes, o ato foi o mais numeroso do país.

Entre 45 mil e 50 mil pessoas também marcharam até o Congresso, em Brasília, entre eles o empresário de construção civil Alessandro Braga, de 37 anos, acompanhado da mulher e do filho pequeno em um carrinho.

— Apoio a saída de Dilma. Os maiores escândalos de corrupção ocorreram durante seu governo, e ela não disse nada — argumentou.


Já no Rio de Janeiro, a orla de Copacabana foi tomada por cerca de 15 mil pessoas, segundo a polícia. Entre os manifestantes estava a produtora de TV Rita Souza, 50 anos, que exibia um cartaz com as palavras "Intervenção militar já".

— Não estou pedindo um novo golpe de Estado, e sim uma intervenção constitucional para convocar novas eleições limpas, sem urna eletrônica, sem manipulação do PT. Que vão todos para Cuba! — declarou.

Em Porto Alegre, cerca de cem mil pessoas foram às ruas, segundo a Brigada Militar. O grupo concentrou-se no Parcão, no bairro Moinhos de Vento, e caminhou até a Redenção. Pela manhã, um grupo que apoia o governo federal assou coxinhas de galinha em uma crítica aos manifestantes.

PANELAÇO DURANTE ENTREVISTA DE MINISTROS DO GOVERNO

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 15/03/2015

Panelaços acontecem pelo país durante entrevistas de ministros. Miguel Rosseto e José Eduardo Cardozo davam entrevista enquanto acontecia panelaço contra o governo Dilma em várias cidades do país.





Enquanto os ministros Miguel Rosseto e José Eduardo Cardozo davam entrevista em Brasília, um panelaço contra o governo Dilma acontecia em vários bairros de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Em São Paulo, foram registrados protestos em Moema, na Zona Sul da cidade. Também no bairro do Jardins e em Santos, no litoral paulista.

No Rio de Janeiro em Ipanema, Humaitá, Copacabana e Alto Leblon, na Zona Sul do Rio. E também na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. E em Niterói, na Zona Metropolitana do Rio.

Em Belo Horizonte, em Curitiba, no bairro Água Verde na região central da cidade. Em Goiânia. Em Brasília, no sudoeste também houve panelaço.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, comentou o panelaço.

“Em relação ao panelaço que estava ocorrendo, ou está ocorrendo ainda em alguns lugares, é importante ter claro que isso é uma manifestação democrática. As pessoas têm o direito de fazer isto. Ou seja, não é porque essa manifestação é contra ou é crítica ao governo Dilma Rousseff que nós não vamos respeitá-la. Como também, nós temos que respeitar todas as manifestações que sejam feitas de apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Democracia é isso", disse.

GOVERNO E OPOSIÇÃO SE PRONUNCIAM SOBRE PROTESTOS

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 15/03/2015

Governo e oposição se pronunciaram sobre protestos. Governo diz que vai lançar novas medidas para combater a corrupção. A oposição afirma que é impossível ignorar cobranças das ruas.





O governo e a oposição se pronunciaram sobre os protestos deste domingo (15). No início da noite, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da presidência, Miguel Rossetto, falaram sobre as manifestações deste domingo. Eles disseram que o governo vai anunciar novas medidas para combater a corrupção - e destacaram o caráter democrático das manifestações.

No Palácio da Alvorada, em Brasília, ministros repassaram à presidente Dilma Rousseff informações sobre os protestos. No fim da tarde, ela se reuniu com alguns ministros que fazem a coordenação política do governo.

Depois da reunião, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo e da Secretaria-Geral da presidência, Miguel Rossetto, deram uma entrevista coletiva. O ministro Cardozo disse que as manifestações fazem parte da democracia.

“É importante observar que o governo está atento e revela a disposição que sempre teve de ouvir as vozes das ruas, as manifestações de brasileiros e de brasileiras, e sempre estará aberto ao diálogo. Não há democracia sem diálogo, não há democracia sem tolerância de posições divergentes. Faz parte do ser democrático o respeito a quem não pensa como se gostaria que se expressasse”, afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Já o ministro Rossetto acentuou que os manifestantes eram aqueles que não votaram na presidente Dilma.

“As manifestações ocorridas hoje são manifestações onde majoritariamente participaram setores críticos, setores da sociedade críticos ao governo, seguramente essa participação ela aparece nessas manifestações, seguramente, majoritariamente também, eleitores que não votaram na presidenta Dilma Rousseff”, disse o ministro da da Secretaria-Geral da presidência, Miguel Rossetto.

O ministro da Justiça anunciou, para os próximos dias, medidas de combate à corrupção.
“Irá nos próximos dias anunciar algo que já era uma promessa eleitoral da presidenta Dilma Rousseff, que é um conjunto de medidas de combate a corrupção e a impunidade. Nos próximos dias essas medidas serão anunciadas. E é importante que se frise, que a postura do governo é que suas ações nessa área não se encerrem com o anúncio dessas medidas. Estamos abertos ao diálogo, estamos abertos a ouvir propostas. Seja de quem defende o atual governo, seja de quem o critica”, anunciou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

José Eduardo Cardozo também defendeu mudanças no sistema político-eleitoral.
“É necessário uma reforma política que feche as portas de um sistema anacrônico a corrupção e que vede terminantemente a possiblidade de financiamento empresarial das campanhas eleitorais”, disse José Eduardo Cardozo.

O ministro da Secretaria-Geral da presidência reconheceu que as manifestações são legítimas desde que a lei seja respeitada.

“As manifestações contrárias ou favoráveis ao governo são legítimas. O que não é legitimo, o que não é aceitável, que dever ser condenado, é o golpismo, a intolerância, o impeachment infundado que agride a democracia, a violência”, afirmou Miguel Rossetto.

Sobre os grupos que neste domingo (15) pediam o impeachment da presidente Dilma, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, disse que a liberdade de expressão permite que eles discutam temas como este - embora não veja, neste momento, nenhuma base jurídica para que isso venha a acontecer.

“Pedir o impeachment enquanto manifestação livre de vontade, tudo bem. Agora, concretamente, vamos convir, a presidente da República no curso deste mandato que mal se inicia não cometeu nenhum crime que é pressuposto do impeachment. Seja à luz do artigo 85 da Constituição, seja à luz da lei 1079, de 1950, versando sobre crimes de responsabilidade e por consequência, impeachment, não há a menor possiblidade de enquadramento da presidente da República nessas normas, sejam constitucionais, sejam legais”, disse Ayres Britto, ex-presidente do STF.

Entre os juristas, há uma unanimidade no entanto: a de que não há qualquer legalidade, nem sentido, pedir uma intervenção militar. Essa reivindicação foi demonstrada em alguns cartazes, no Rio de Janeiro. O ex-ministro do Supremo, Carlos Velloso, lembrou que as Forças Armadas têm a obrigação de proteger o estado democrático.

“Uma intervenção militar seria algo inusitado, fora da lei, fora da Constituição, ao arrepio da lei, ao arrepio da Constituição. Vale evocar Rui Barbosa no ponto quando ele afirmou diante do Supremo Tribunal Federal, ‘fora da lei não há salvação’. Temos que sempre nos comportar dentro da lei. No momento em que a lei, que a violação da lei prejudica alguém e nos colocamos em silêncio, amanhã poderá ser nós, sermos nós aqueles atingidos por quem está violando a lei. Sempre dentro Constituição, sempre com observância da lei”, analisou o ex-presidente do STF, Carlos Velloso.

A forma pacífica das manifestações foi elogiada pelo senador Aécio Neves, presidente do PSDB, um dos partidos que apoiaram os protestos. No Rio de Janeiro, ele disse que é preciso mobilizar o país para a discussão de uma agenda positiva.

“Nós temos que ter uma agenda propositiva, o Brasil é muito maior do que as dificuldades que estamos vivendo hoje, mas há um divórcio hoje, entre o poder executivo, entre o poder público como um todo, e a sociedade brasileira, nós precisamos construir no Congresso Nacional uma agenda que passe pela reforma política, pra que as pessoas se sintam mais próximas de seus representantes, que passe pela questão tributária, onde haja um grande pacto em favor da federação, dos municípios, e dos estados”, disse Aécio Neves.

Para o líder dos Democratas, na Câmara dos deputados, é impossível ignorar as cobranças das ruas.

“Eu acho que isso é o começo de um grande ambiente em favor de mudanças, de combate efetivo à corrupção, de que o governo entre na agenda da sociedade e ao mesmo tempo a conta do ajuste econômico não recaia sobre a classe média e os trabalhadores. Infelizmente, a crise foi gerada pelo próprio governo e quem paga pela crise hoje é a população brasileira”, afirma o deputado Mendonça Filho.

“Há um momento em que nós temos que ser maiores do que as nossas divergências, há um momento que nós temos que pensar na sociedade e no estado brasileiro. É evidente que a sociedade brasileira clama por combate a corrupção e evidente que é necessário que nós tenhamos que ter uma reforma política. Para isso é necessário dialogar, para isso é necessário sentarmos aliados e até mesmo com a oposição junto com a sociedade para que nós possamos construir uma alternativa que efetivamente atenda a expectativa de todos os brasileiros e brasileiras”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

BRASILEIROS NO EXTERIOR PROTESTAM CONTRA O GOVERNO E A CORRUPÇÃO




G1 FANTÁSTICO Edição do dia 15/03/2015

Brasileiros no exterior fazem protestos contra o governo e a corrupção. Londres, Lisboa, Buenos Aires e Nova York tiveram protestos de brasileiros que vivem no exterior.





Em um dia frio e de chuva, em Londres, cerca de 70 pessoas se reuniram em frente à Embaixada brasileira. Havia muitas bandeiras do Brasil, balões e roupas verde e amarelas. Os manifestantes cantaram o hino nacional e carregaram cartazes em português e em inglês, contra a corrupção e contra o governo, como um que dizia que "Patriotismo é ficar ao lado do país, não dá presidente".

Em Lisboa, cerca de 50 brasileiros se reuniram na Praça Luís de Camões, uma das principais regiões turísticas da capital portuguesa. Muitos pintaram o rosto de verde e amarelo, bateram panelas e também cantaram o hino nacional. O protesto pediu o fim da corrupção.

“Não importa onde a gente more, onde a gente esteja, nosso coração é brasileiro e a gente está junto com o Brasil desde sempre”, diz uma mulher.

Em Buenos Aires, a concentração começou no início da tarde em frente ao obelisco, na região central da cidade. O protesto contra o governo e contra a corrupção reuniu cerca de 70 brasileiros, entre turistas e residentes na Argentina. Os manifestantes caminharam até a embaixada do Brasil. A polícia acompanhou de longe só para evitar que a manifestação atrapalhasse o trânsito.

Em Nova York, o protesto foi na Union Square, um tradicional ponto de manifestações. Eles pedem o fim da corrupção e mudanças no governo. Com cartazes em inglês e português, os manifestantes defenderam o fim da mentira e fizeram gestos de rendição. Eram cerca de 100 pessoas, imigrantes e turistas, que enfrentaram o frio de sete graus, e criticaram também os parlamentares. A maioria defendeu a saída da presidente Dilma Rousseff do governo. Houve bate-boca quando uma mulher e um homem contrários ao impeachment chegaram à manifestação. Depois da confusão, o protesto seguiu com o hino nacional e demonstrações de apoio ao Brasil.

Os protestos no Brasil tiveram grande repercussão na imprensa internacional.

O site do New York times disse que os brasileiros marcharam contra a economia em ritmo lento, o aumento dos preços e a corrupção - e pediram o impeachment da presidente Dilma.

O Washington Post destacou que houve manifestações em mais de 50 cidades e que um dos motivos era o esquema de corrupção na Petrobras, um dos maiores do país.

A britânica BBC estampou na primeira página que mais de um milhão de brasileiros participaram do protesto, pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O espanhol El País destacou, na edição digital, que a manifestação em São Paulo foi a maior desde a redemocratização do Brasil.

O argentino La Nación disse que os protestos são contra o governo da presidente Dilma, por causa dos escândalos na Petrobras e da desvalorização de quase 30% do real frente ao dólar.

BRASILEIROS CONTRA CORRUPÇÃO E GOVERNO

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 15/03/2015


Brasileiros manifestam em vários estados contra corrupção e governo. Atos lotaram ruas e praças pelo país. Maiores manifestações aconteceram em Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém e São Paulo.




Quinze de março de 2015, domingo de ruas e praças cheias em cidades de 26 estados e do Distrito Federal para manifestações contra a corrupção e contra o governo Dilma. Os maiores atos públicos aconteceram em Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém e São Paulo.

Foi em São Paulo que se viu neste domingo (15) uma das maiores manifestações públicas dos últimos tempos, na Avenida Paulista e arredores. Os repórteres acompanharam este dia de protestos em todo o país desde cedo.

Na parte da manhã, a concentração de manifestantes começou às 9 horas. Vestidos de verde e amarelo e empunhando bandeiras do Brasil eles foram chegando aos pontos de encontro, nas capitais e em cidades do interior de pelo menos 15 estados.

Às 10 horas, ruas e praças já reuniam uma multidão de milhares de pessoas, de maneira pacífica. As faixas e cartazes mostravam palavras de ordem contra o governo, a presidente Dilma e o PT. Os atos pediram apoio ao Ministério Público, à Operação Lava Jato, e, em muitos deles, pediam também o impeachment da presidente Dilma.

A manifestação foi convocada por movimentos sociais que se dizem apartidários, como o “vem pra rua” e o “movimento Brasil livre”.

No Rio de Janeiro, aconteceu na Avenida Atlântica, com início na altura do posto cinco e seguiu até o hotel Copacabana Palace, um trecho de pouco mais de dois quilômetros.

O batalhão da polícia militar de Copacabana chegou a anunciar que 15 mil pessoas participavam do protesto. Mas, à tarde, o comando da PM anunciou que essa era uma estimativa inicial e que não haveria um número oficial. Líderes do movimento “vem pra rua” disseram que foram 100 mil pessoas. Os manifestantes carregavam uma enorme bandeira do Brasil.

“Manifestação pacífica, maravilhosa. Queremos Brasil, Brasil, só Brasil”, disse uma mulher.

Havia cartazes e faixas pedindo um basta na corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff. Até na água, houve protesto. Das janelas e varandas, teve morador acenando em apoio à manifestação.

“A gente que um Brasil melhor, né? A gente quer de fato o progresso do país”, disse outra mulher.

No meio da multidão, um cartaz destoava pedindo a volta da ditadura militar, uma atitude ilegal e contra a constituição.

Em Brasília, 1600 policiais foram convocados para garantir a segurança dos manifestantes e evitar invasão a prédios públicos. A concentração foi em frente ao Museu da República, mas a multidão caminhou até o Congresso Nacional, onde os manifestantes sentaram-se no gramado. Segundo a Polícia Militar, eram entre 45 e 50 mil pessoas. Para os organizadores, entre 80 e 100 mil pessoas participaram do protesto.

Em Salvador, os manifestantes se concentraram no Farol da Barra, cartão postal da cidade. Bateram frigideira, carregaram cartazes contra o PT e ao som de uma banda cantaram o hino nacional. Foram 8 mil manifestantes, segundo os organizadores. E seis mil para a PM.

No Recife, o protesto foi na praia da Boa Viagem. As pessoas em verde e amarelo pediam o fim da corrupção. Havia faixas e cartazes pelo impeachment da presidente Dilma e exigindo cadeia para os corruptos. Os organizadores não estimaram o número de participantes. Segundo a PM, foram 8 mil.

Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade foi tomada por uma multidão que exigia justiça, ética e punição para os corruptos. Algumas pessoas usaram nariz de palhaço e apitos. E em vários momentos, a manifestação gritava em coro "fora Dilma". Os organizadores também não calcularam o número de participantes. Segundo a PM, 20 mil pessoas.

Sessenta mil pessoas, segundo os organizadores, foram para as ruas em Belém. Segundo a PM, eram 30 mil caminhando da Avenida Visconde de Souza Franco, no centro da cidade até o Teatro da Paz. A manifestação terminou por volta de meio dia sem nenhuma ocorrência de tumulto.

Em Aracaju o protesto foi em frete aos arcos da orla da Atalaia. Cinco mil pessoas participaram, de acordo com os organizadores. Segundo a PM, eram 900 pessoas. O início da passeata atrasou por conta de uma forte chuva, mas depois seguiu tranquilamente pelas ruas da cidade.

Em Fortaleza tanto a PM quanto os organizadores calculam que 20 mil pessoas ocuparam a Praça Portugal. Como no resto do país, os manifestantes usavam roupas com as cores da bandeira brasileira.

Em Goiânia a concentração foi na Praça Tamandaré. Um balcão foi instalado para que as pessoas assinassem um manifesto pró-impeachment. Os organizadores não estimaram o número de participantes, segundo a PM eram 60 mil.

À tarde os protestos se ampliaram em vários estados. Em algumas cidades, manifestantes voltaram às ruas em locais diferentes dos protestos da manhã. Como em São Luiz, Salvador e Belém.

Em Porto Alegre, cem mil pessoas, segundo a Polícia Militar e 110 mil pelas contas dos organizadores, caminharam entre os parques moinhos de vento e redenção. Muita gente vestiu as cores do Brasil. Cartazes e faixas pediam o impeachment da presidente Dilma e o fim da corrupção.

Em Curitiba, os manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade, no centro, e caminharam até a Boca Maldita, também no centro. Oitenta mil pessoas participaram do protesto, segundo a PM. Os organizadores falam em cem mil.

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, os manifestantes saíram do centro da cidade e percorreram quatro quilômetros com faixas contra a corrupção. A passeata reuniu 32 mil pessoas, segundo os organizadores do movimento, 30 mil pelos cálculos da PM.

Em Franca, na mesma região, a praça principal foi o local escolhido para o protesto. Cartazes pediam o impeachment da presidente Dilma. Alguns agricultores chegaram a cavalo. Outros passearam pelas ruas de trator. A Polícia Militar contou 4,5 mil pessoas e os organizadores, 5 mil.

Em Natal, o protesto foi à tarde. Como no resto do Brasil, muitas pessoas usaram as cores da bandeira. De acordo com os organizadores, 40 mil pessoas participaram do ato. A PM contou 12 mil.

A manifestação em Teresina foi em frente à Assembleia Legislativa do Piauí e teve um velório simbólico do PT, onde foram queimados bonecos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Um grupo de manifestantes usava camisa do Brasil pedindo “fora Dilma”. O protesto foi pacífico. A organização do evento disse que cerca de 5 mil pessoas estiveram na manifestação. E a Polícia Militar diz que foram 4 mil pessoas.

Em Vitória uma passeata saiu da sede da Petrobras, outra saiu da cidade de Vila Velha e atravessou a terceira ponte até Vitória. As duas se encontraram com um terceiro grupo na praça do Papa, a maior da cidade. De acordo com a PM, cem mil pessoas foram para as ruas de Vitória protestar. A organização do evento fala em 120 mil pessoas. A manifestação transcorreu tranquilamente.

Em Florianópolis, os manifestantes se reuniram no centro, em frente ao terminal de ônibus. E seguiram pela Avenida Beira Mar Norte, a principal da cidade. Faixas e cartazes pediam o impeachment da presidente Dilma. Tanto a PM, quanto os organizadores do movimento concordaram que havia 30 mil pessoas nas ruas.

Em João Pessoa, muitas famílias foram para a Praia de Tambaú. Muita gente pintou o rosto e usou nariz de palhaço. Um homem fez uma fantasia em protesto contra a corrupção na Petrobras. Para a PM, havia 4 mil manifestantes. Para os organizadores, eram 7 mil.

Em São Paulo, manifestações por toda a parte e de todo lugar. De caminhão, de moto e de metrô.

A maior concentração foi na Avenida Paulista, que duas horas antes do horário marcado, já estava lotada. Os comerciantes colocaram tapumes. Os moradores apoiaram a manifestação com bandeiras nas janelas. No cartaz, o orgulho de ser brasileiro. Em outro, o pedido em impeachment da presidente Dilma. Também tinha professores pedindo a saída de Lula, Dilma e do PT. Os manifestantes também pediam mais saúde, mais educação e menos corrupção.

“Eu estou cansada. A gente luta tanto, trabalha todos os dias e temos o que como resposta? Roubo, mais roubo. Brasileiro não aguenta mais”, diz Silmara Vettori, gerente comercial.

“É muita roubalheira, o Brasil não aguenta mais, entendeu”, diz um homem.

Banda podre do Executivo, Legislativo, Judiciário e empresários também foi alvo de protestos. Na cruz, inflação e juros e o questionamento: que país é esse?

“Não é o caso de intervenção militar, não é o caso de impeachment. É o caso de criar vergonha na cara e de termos um país decente, honesto, de gente trabalhadora e pôr um fim a toda essa corrupção que toma conta do país de maneira deslavada e vergonhosa”, diz Paulo Niemeyer, advogado.

Vinte jovens foram detidos, com eles foram encontrados rojões e socos ingleses. Eles vestiam camisetas de um grupo chamado "carecas do subúrbio". Os manifestantes apoiaram os policiais e hostilizaram os presos.

O helicóptero da Polícia Militar sobrevoou a Avenida Paulista para calcular o número de manifestantes. Nas contas da polícia, um milhão de pessoas foram até lá. E os organizadores concordaram com a PM. O protesto ocupou quase dois quilômetros da avenida e se espalhou por pelo menos 15 quarteirões. Não parava de chegar gente. No meio da tarde, uma das principais estações da Avenida Paulista fechou as portas porque não cabia mais ninguém.

Os caminhões que mais cedo percorreram ruas da capital se juntaram aos manifestantes.
A equipe do Fantástico esteve na esquina da Avenida Paulista chegando a Rua da Consolação. E foi no local que caminhoneiros que decidiram participar da manifestação fizeram o seu protesto. Eles não podem entrar na avenida por causa da quantidade de manifestantes então eles pararam ali e tão fazendo um buzinaço.

“É uma emoção indescritível, só quem está aqui pode sentir. Só quem é brasileiro independentemente de partido, que trabalha e paga imposto e quer um pouco de justiça social verdadeira sabe o que é estar aqui nessa Avenida Paulista hoje”, destaca uma manifestante.

A Polícia Militar de São Paulo informou como chegou ao número de um milhão de manifestantes na Avenida Paulista. A PM diz que usou uma ferramenta tecnológica com mapas e georreferenciamento, baseadas nas imagens aéreas colhidas por um dos helicópteros águia. Assim, determinando a extensão principal da manifestação, bem como, a ocupação das ruas adjacentes, foi adotado como parâmetro de cálculo, naquele momento, de cinco pessoas por metro quadrado.

Já o Instituto Datafolha, usando metodologia própria, calculou em 210 mil o número de manifestantes no protesto deste domingo (15), na Avenida Paulista. Segundo o Datafolha, esse número refere-se ao total de pessoas diferentes que participaram, em algum momento, da manifestação. O Datafolha não considerou as pessoas nas adjacências da Avenida Paulista. O Instituto salientou, no entanto, que 210 mil é o maior número medido em um ato político em São Paulo, desde as Diretas Já, quando em 1984, o Datafolha calculou que 400 mil pessoas se reuniram na Praça da Sé.

sábado, 14 de março de 2015

EU VOU PARA O PARCÃO



ZERO HORA 14 de março de 2015 | N° 18101


REGINA LINDEN RUARO*



No próximo domingo, vou protestar com meu direito fundamental de liberdade de expressão e lutar pela manutenção da liberdade de imprensa. Mas não me atri- buam o qualificativo de golpista ou de alinhada com a direita, muito menos me identifiquem com quem quer o impea- chment. Não pertenço a partido político nem fui financiada, porque consciência, moral, ética, honestidade, resguardo do dinheiro público, não têm preço. Estarei lá para protestar contra todos que tenham sangrado os cofres públicos, contra a corrupção, descontente com promessas de campanha que se configuraram em estelionato eleitoral. Vou pelo direito de saber quem deixou a Petrobras nessas condições. Para que paguem por seus crimes e restituam o dinheiro desviado. Pelo fim dos projetos de poder, dos empréstimos sem transparência.

Sou da classe média, mas não me enquadrem como pertencente a um grupo estigmatizado que leva a pecha de “coxinha”. Trabalho três turnos pela minha vida inteira e o custo pessoal é alto. Não me passem a fatura do desvio praticado. Como contribuinte, quero que o arrecadado dos altos impostos seja usado para custear direitos sociais da população desfavorecida que amarga em filas e no chão dos corredores de hospitais, em uma educação pública de qualidade já no Ensino Fundamental, em segurança pública, em infraestrutura e em melhoria das condições de vida da nação. Não posso conviver com um salário mínimo insuficiente para o mínimo existencial enquanto alguns políticos empurram o orçamento estatal para o buraco. Quem quer enriquecer não pode estar no serviço público. Busco solidariedade com o próximo que perde seus direitos custeando falcatruas. Lá, passarei recado para a presidente e políticos: humildade é uma qualidade, autocrítica contribui para corrigir o rumo, alternância no poder é democracia. Atribuir os problemas econômicos a fatores externos ou causas naturais do meio ambiente é fazer como o avestruz faz: coloca a cabeça no buraco. Aos políticos e intelectuais que atribuem aos movimentos sociais das redes o título de golpistas, não sou oito ou oitenta, só não aceito pano de fundo nem cortina de fumaça. Creio no Brasil e não pretendo ser a última a “apagar a luz”.

*Advogada e professora da PUCRS