A mobilização social é um vigoroso instrumento de defesa de direitos e poderoso para pressionar os Poderes no exercício de seus deveres, obrigações, finalidade pública, observância da supremacia do interesse público, zelo dos recursos públicos e gestão voltada à qualidade de vida do povo. Não existe um futuro promissor para uma nação de cidadãos servis e acomodados que entrega o poder aos legisladores permissivos, a uma justiça leniente e aos governantes negligentes, perdulários e ambiciosos que cobram impostos abusivos, desperdiçam dinheiro público, sonegam saúde, submetem a educação, estimulam a violência, tratam o povo com descaso e favorecem a impunidade dos criminosos.

sábado, 30 de novembro de 2013

A NOVA TFP

REVISTA ISTO É N° Edição: 2298 | 29.Nov.13


Famosa pelo ultraconservadorismo e pelas manifestações contra o divórcio e o comunismo, a Tradição, Família e Propriedade hoje está voltada apenas para a religião e seu controle é disputado na Justiça


Quando se fala na Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, mais conhecida como a TFP, a imagem que vem à mente é a de uma instituição conservadora, defensora de posições políticas à direita, com um viés religioso e avessa a mudanças. Trata-se de uma imagem condizente com a realidade, pelo menos até quase 20 anos atrás. Sob as orientações de seu fundador, o advogado paulistano Plinio Corrêa de Oliveira, a sociedade se manifestava publicamente, fazia barulho com suas opiniões reacionárias e tomava as ruas empunhando megafones e seu estandarte, no qual reluzia um leão dourado, em marchas contra a reforma agrária, o divórcio, o aborto e o comunismo, entre outros temas. Em 1995, com a morte de seu fundador – chamado de Dr. Plinio pelos que comungam das ideias do quatrocentão paulistano –, a TFP passou por uma verdadeira revolução interna que acabou por redefinir seu perfil de atuação e expulsar membros mais antigos, numa briga que foi parar na Justiça. “Hoje, a nova TFP tem uma agenda prevalentemente religiosa”, diz Paulo Brito, um dos mais antigos, que, excluído, organizou com outros colegas de geração a Associação dos Fundadores. Sem vínculos com a atual TFP, a associação tenta reaver judicialmente o nome da entidade e ainda ocupa, como Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO), o majestoso casarão no bairro de Higienópolis, em São Paulo. “O engajamento e a agenda temporal, com campanhas públicas, por exemplo, acabaram”, lamenta.


NOVA DIREÇÃO
As marchas por causas conservadoras (acima) deram lugar à espiritualidade dos
“Arautos do Evangelho”, liderados pelo monsenhor João Clá (abaixo)




Os fundadores reunidos para comemorar o centenário
do nascimento de Plinio Corrêa de Oliveira

Para entender a revolução que deu origem à nova TFP é preciso voltar a 1995, pouco depois da morte de Oliveira, em 3 de outubro. Desde a sua fundação, a sociedade funcionou sob o comando de oito senhores chamados de fundadores. Únicos com direito a voto, eles determinavam, sozinhos, os rumos da organização e nunca encontraram grande resistência. No entanto, com a expansão da TFP e a efervescência política no País a partir de 1989, um grupo crescente de membros começou a manifestar desconforto com a concentração de poder dos fundadores. O pleito dos reformistas era por uma mudança no estatuto, que poderia vir a dar direito de voto a mais membros e fazer da instituição um lugar mais democrático. Mas, embora presente em meados dos anos 1990, a causa pela democratização da TFP ainda era pouco popular. A impressão geral era de que, enquanto Oliveira estivesse vivo, pouco mudaria. “Mas quando o Dr. Plinio morreu, os dissidentes passaram a se articular melhor e mostraram ter um líder, o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias”, afirma Frederico Viotti, advogado e membro da Associação de Fundadores.

“Hoje, a nova TFP tem uma agenda prevalentemente religiosa.
O engajamento temporal acabou”
Paulo Brito, da Associação dos Fundadores

O monsenhor João Clá foi, durante quase três décadas, o braço direito de Oliveira. Figura carismática e por vezes colérica, ele destoava da maioria dos membros da TFP por ser religioso, e não leigo, e chamava a atenção pelo traquejo que tinha com jovens, além de uma confiança quase cega do idealizador da entidade. O monsenhor João Clá chegou a escrever a biografia da mãe de Oliveira e trabalhava com ardor e dedicação raros, exercendo sua liderança. “Um traidor”, resumem os fundadores. Segundo eles, foi sob a batuta do monsenhor João Clá que, em 1997, os reformistas, conhecidos como dissidentes, levaram a disputa pelo controle da TFP à Justiça. Alegando que uma sociedade civil não pode ser administrada sem a consulta de seus membros, eles pediram a mudança no estatuto da sociedade para ter direito a voto. Embora tenham perdido em primeira instância, em 1998, conquistaram, de forma plena, a posse da sigla TFP em 2004, além de bens e de sua diretoria. Vencida, a velha guarda saiu da sociedade e criou a Associação dos Fundadores, também em 2004. O processo hoje aguarda decisão final do Supremo Tribunal Federal.


DISSIDÊNCIA
Frederico Viotti luta pelo retorno dos fundadores,
expulsos da TFP pelos dissidentes em 2004

O que se viu desde que os dissidentes assumiram a TFP foi, na prática, uma refundação da sociedade sob um projeto novo e, aparentemente, sem grandes ambições expansionistas. As atividades classificadas como “temporais”, ou não religiosas, do grupo foram sendo reduzidas gradualmente. Palestras, jornadas, círculos de estudo, caravanas, campanhas e marchas – as grandes ferramentas do projeto original da TFP, que era de atuar publicamente em defesa de suas crenças – deram lugar à oração e à vivência da fé pura e de forma quase exclusivamente meditativa. Para os fundadores, foi um esvaziamento consciente e proposital da TFP pelas novas lideranças, em especial pelo monsenhor João Clá, que, segundo os mais antigos, teria como objetivo extinguir a sociedade. Já para os dissidentes, nada mais era que uma adequação de missão aos novos tempos. Como o comunismo, a reforma agrária e até o divórcio se tornaram temas de certa forma superados, era natural que o foco mudasse e, no caso da TFP, voltasse para a religiosidade.

Os rumos seguidos por João Clá dentro e fora da TFP depois da disputa com os fundadores ilustram isso. Foi ele, por exemplo, quem criou, quatro anos depois da morte de Oliveira, os “Arautos do Evangelho”, uma associação privada de fiéis de direito pontifício – subscrita, portanto, ao papa. Enquanto na TFP original a tríade era tradição, família e propriedade, e nunca se buscou reconhecimento do Vaticano, nos “Arautos” as máximas eram e ainda são o papa, Maria e a Eucaristia. João Clá parece ter predileção pelo projeto dos “Arautos”, que, nos últimos anos, expandiram sua base de membros e hoje estão em 78 países de cinco continentes. Nesse período, por sua vez, nem o site da TFP era atualizado. Em visita à seção “Galeria de fotos” da página da sociedade ainda no ar, se percebe que, entre as quatro imagens disponíveis, três são de mais de 20 anos atrás. “Houve uma nítida mudança de foco e a TFP, hoje, vive abandonada”, diz Viotti.


TEMPOS ÁUREOS
Sob Plinio Corrêa de Oliveira (acima), a TFP, com sede em casarão
no bairro de Higienópolis, em São Paulo (abaixo), viveu seu auge



De fato, a nova TFP não é nem sombra do que já foi. Embora com bens valiosos, como terrenos e alguns imóveis, além de um estruturado serviço de mailing que distribui medalhas e recolhe donativos, a entidade perdeu relevância e deixou de ser referência na agenda conservadora do País. Mesmo que o Supremo Tribunal Federal reverta as decisões de segunda e terceira instâncias favoráveis aos dissidentes e devolva a instituição aos fundadores, é difícil imaginar que ela volte a ser a influente TFP de antigamente. Dos oito membros originais, seis estão vivos, todos com mais de 80 anos. Será um imenso desafio fazer seu discurso reacionário encontrar eco na juventude do século XXI.





Fotos:Jjoão Wainer/Folhapress; PAULO PINTO/AE; Joel Silva/Folhapress: kelsen Fernandes/Ag. Istoé; Juan Esteves/Folhapress; BIO BARREIRA


O MANIFESTANTE

REVISTA ISTO É N° Edição: 2298 | 29.Nov.13


As manifestações de junho já mudaram o País. A famigerada PEC-37, que restringia o poder de investigação do Ministério Público, foi rejeitada pelo Congresso e o Senado aprovou lei que transforma corrupção em crime hediondo. Tudo isso graças à voz das ruas

Por Amauri Segalla





O cantor americano Bob Dylan disse em uma entrevista recente que hoje em dia ninguém mais quer sonhar. “Vivemos uma estúpida era de conformismo”, afirmou. Isso provavelmente é verdade em muitos lugares do mundo, mas não no Brasil. O que teria levado, em junho passado, dois milhões de brasileiros às ruas de todas as capitais e de mais de 500 municípios a não ser uma irreprimível e saudável rebeldia? O que teria movido essas pessoas senão o sonho de mudanças? Os manifestantes – cada um deles – são os “Brasileiros do Ano” para a ISTOÉ não apenas porque tiveram coragem para protestar.
É mais do que isso: o clamor dos manifestantes – o clamor de cada um – está ajudando a construir um país melhor.


TODAS AS IDADES
Aos 82 anos, Marita Ferreira caminhou
durante três horas nos protestos de junho

O excepcional nas manifestações de junho é que elas aglutinaram, provavelmente pela primeira vez na história do Brasil, gente de todas as ideologias (até os que não têm nenhuma), de diferentes classes sociais e de variadas gerações. Aos 82 anos, a aposentada Marita Ferreira se tornou um símbolo involuntário do movimento que varreu o País. No dia 17 de junho, dona Marita, uma senhora de andar altivo e fala firme, pegou o filho e o neto e se dirigiu à avenida Faria Lima, em São Paulo. Levou de casa um cabo de vassoura, cartolina e caneta piloto. Era tudo o que precisava para fazer um cartaz onde se lia “82 anos. Não vim pra brincar, vim manifestar.” Durante as três horas de caminhada pelas ruas de São Paulo, gritou como pôde, ergueu os punhos, dançou em plena avenida – mais ou menos como fizera em 1992, nas manifestações populares contra o governo do presidente Fernando Collor. “Dessa vez protestei contra a bandalheira que vem de todos os lados”, berra dona Marita, numa pausa para a foto que ilustra este texto. Com problemas de audição, ela fala num tom bem mais alto do que o resto da humanidade. Talvez por esse motivo suas palavras de ordem se fizeram ouvir nas passeatas.


GRITOS
Márcia Trinidad e a filha Maitê Peres: depois de muito tempo,
o cidadão comum percebeu que tem poder para mudar o País

Dona Marita não segue ninguém e também não quer ser comandada. A primavera brasileira, desabrochada no final do outono, reúne essa característica peculiar: é apartidária e avessa a toda e qualquer liderança que tente se apropriar do movimento. A psicóloga Márcia Trinidad, 44 anos, tem lá algumas inclinações políticas, mas não deixa que elas contaminem suas aspirações. “Fiquei horrorizada com a violência policial que reprimiu as primeiras passeatas e decidi ir para a rua lutar contra isso”, diz. Com ela, estava a filha Maitê Peres, 21 anos, estudante de publicidade do Mackenzie. Usuária de transporte público, Maitê identificou-se com a causa do Movimento Passe Livre, grupo que teve o mérito de começar a onda de protestos com uma única reivindicação: a redução do preço das passagens de ônibus. “Essa história dos 20 centavos foi só o ponto de partida”, diz Maitê. “Nós meio que percebemos que tínhamos poder para mudar as coisas. Foi a primeira vez que a minha geração sentiu isso de verdade.”

A primavera brasileira é apartidária e avessa a toda e
qualquer liderança que tente se apropriar do movimento

As gigantescas multidões que transbordaram das ruas brasileiras serviram para expressar múltiplos sentimentos. Não houve uma razão maior que tivesse despertado a alma anestesiada do cidadão comum. Incontáveis motivos tiraram os brasileiros do estado de conformismo. Houve protestos contra o baixo nível da educação pública, a carência de médicos, a corrupção generalizada, as condições precárias das estradas, os gastos irresponsáveis com os preparativos para a Copa do Mundo. Os críticos disseram que a falta de uma bandeira única enfraqueceria o movimento, que se tornaria disperso e vago demais para surtir efeitos duradouros. Erraram feio. Pela primeira vez, em muitos anos, os poderosos tiveram que se curvar à voz das ruas. Apenas 13 dias depois da primeira passeata organizada pelo Movimento Passe Livre, prefeitos de dezenas de cidades começaram a revogar o reajuste do preço das tarifas de ônibus. Nesse caso específico, os manifestantes venceram – de goleada.


LUZ E SOMBRAS
Manifestantes ocupam a cobertura do Congresso Nacional no dia 17 de junho

Por mais que algumas vozes dissonantes digam o contrário, as manifestações de junho ajudaram, sim, a mudar o País. A famigerada PEC-37, que restringia o poder de investigação do Ministério Público, foi rejeitada pelo Congresso. Sem as vozes das ruas, o destino da PEC-37 teria sido o mesmo? A gritaria de milhões de brasileiros contra a corrupção surtiu resultados. Esquecido há anos em Brasília, o projeto de lei que transforma corrupção em crime hediondo foi aprovado no Senado depois da avalanche de manifestações. Na quinta-feira 28, o Senado e a Câmara promulgaram a emenda que prevê o fim do voto secreto para a cassação de mandato de senadores e deputados, exatamente como queriam os brasileiros que se rebelaram em junho. O que disse o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves? Segundo ele, agora o Congresso caminha ao encontro dos anseios do povo brasileiro, “que foi às ruas em junho clamando por melhores serviços públicos e por mais ética.” Não é só. Lembra dos cartazes que pediam mais recursos para as áreas de educação e saúde? Pois bem: definiu-se que 75% dos royalties do petróleo vão para a primeira e 25% para a segunda. Os poderosos entenderam o recado: as ruas não poderão novamente ser desprezadas.


PÁTRIA
Jovens contrários ao aumento do preço do bilhete de ônibus
caminham na avenida Paulista, em São Paulo

Os manifestantes de junho também tiveram a sabedoria de frear os protestos quando eles degeneraram para a insanidade da violência. A partir desse momento ficou fácil identificar quem eram as pessoas de bem – o brasileiro comum que deseja apenas um país melhor – e todos os outros que estavam ali apenas para dar vazão a atos criminosos. Os manifestantes pacíficos por ora silenciaram, mas não significa que serão novamente omissos. Desde junho, muita coisa andou graças ao grito espontâneo de dois milhões de pessoas. Bob Dylan certamente gostaria de saber que algo maravilhoso aconteceu no Brasil.

Fotos: PEDRO DIAS/Ag. Istoé; Pedro Ladeira/Folhapress; Marcelo Alves/Techimage/Folhapress



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

INTRODUÇÃO AO DIREITO

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. 

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila: 

- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, Senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor. 

Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. 

Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada. 

- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor 

Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta: 

- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça. 

E agora, para que serve a justiça? 

Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. 

Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Nelson - Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. 


Via Jaqueline Piloneto

terça-feira, 17 de setembro de 2013

COMERCIANTE QUEREM SER INDENIZADOS

FOLHA.COM 17/09/2013 - 12h03

Comerciantes do Rio querem indenização do Estado por depredações em protestos


DO RIO



Comerciantes cariocas que tiveram suas lojas depredadas durante as manifestações ocorridas no últimos três meses querem que o governo do Estado do Rio os indenize.

A ideia, proposta pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), foi divulgada por meio de nota nesta terça-feira (17). A ACRJ informou que pediu ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que considerasse os casos de violência contra patrimônio privado na cidade como situação de calamidade pública, o que permitiria que os comerciantes fossem ressarcidos legalmente por eventuais prejuízos com as manifestações.

Sem entrar em detalhes de como fez o cálculo, a ACRJ afirmou que o fechamento do comércio em dias de manifestações gera um prejuízo para o setor que chega a R$ 350 milhões, montante que representa 50% do faturamento diário do segmento na cidade. A entidade não informou quanto os comerciantes associados já tiveram de prejuízo devido especificamente às depredações de vitrines e saques.

A ACRJ ressaltou que enxerga as manifestações populares como uma "demonstração da importância do regime democrático para o fortalecimento da sociedade", mas condenou veementemente o que considerou "vandalismo e bandidagem".

A associação destacou ainda que cabe ao Estado garantir o direito à livre manifestação sem se descuidar das pessoas e estabelecimentos públicos e privados.

"A Associação Comercial do Rio de Janeiro tem oferecido apoio aos comerciantes que sofreram com os atos criminosos perpetrados durante as manifestações que marcaram a cidade e o país nos últimos meses. Todos nós sabemos que cabe ao Estado garantir o direito fundamental à livre manifestação sem se descuidar da segurança, tanto das pessoas quanto dos estabelecimentos públicos e privados. Diante da situação de total prejuízo que muitos comerciantes se encontram, sugeri ao governador que trate o assunto como calamidade pública, o que permitiria legalmente uma ação indenizatória rápida aos comerciantes. O governador demonstrou simpatia à ideia e ficou de avaliar", disse Leal, por meio de nota.

Reynaldo Vasconcelos/Futura Press/Folhapress

Manifestantes protestam contra o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no fim do mês passado


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EXERCÍCIO DE INTOLERÂNCIA E AUTORITARISMO



‘Anarcofascistas’ esvaziaram as manifestações melhor que qualquer tropa do Choque. São inimigos da democracia travestidos de progressistas



EDITORIAL
O GLOBO
Publicado:15/09/13 - 0h00


Desde meados de junho, quando se ergueu a onda de manifestações de rua, este ciclo de protestos cumpriu uma trajetória específica e com diferentes fases. Recorde-se que a centelha partiu de um grupo ligado a frações de esquerda radical, sob o abrigo da bandeira pelo passe livre no transporte público, o MPL. Uma ação de violência despropositada da PM de São Paulo, contra um grupo de jovens do movimento, funcionou como segunda e mais poderosa centelha, para atrair a simpatia e a participação de uma nova, e maior, leva de manifestantes, com a visível participação de extratos das classes médias, a “nova” e a “velha”.

Ganhou força a defesa do apartidarismo nos protestos, e a pauta levada às ruas, antes centrada nos transportes públicos, terminou ampliada e, por isso, ganhou importância política. Deficiências generalizadas na infraestrutura, a má prestação de serviços na Educação e Saúde, a corrupção, muitas dessas denúncias resumidas na reivindicação de uma ação do Estado no “padrão Fifa”, frequentaram manifestações então já estendidas às capitais e cidades importantes do interior. Coerentes com este clima, cresceram protestos contra os gastos no projeto da Copa do Mundo.

No auge do apartidarismo do movimento, forças políticas com tradição de rua — sindicatos, PT, UNE e outras organizações — chegaram a ser impedidas de entrar em passeatas.

Toda essa histórica demonstração de vitalidade da sociedade brasileira, a ponto de surpreender correntes político-partidárias ligadas a mobilizações ditas de massa, tomou outro rumo, e se enfraqueceu, com a crescente atuação de vândalos, biombo para saqueadores do comércio.

Eles foram decisivos para esvaziar as ruas dos manifestantes da fase de crescimento dos protestos, quando a agenda de reivindicações cresceu. No Rio, os ataques à prefeitura, à Assembleia Legislativa (Alerj) e a depredação do Leblon se constituíram no marco desta última fase de recuo dos protestos.

Críticas a políticas públicas foram substituídas pela violência em estado bruto — a violência pela violência. Alguns segmentos da chamada esquerda chegaram a simpatizar com os black blocs da vida, inicialmente autointitulados “seguranças” das manifestações. Até “famosos” trocaram acenos com a turba de preto.

Na verdade, o fenômeno nada mais é do que mais uma ameaça à democracia e às liberdades civis vindas de forças progressistas apenas na aparência. Às vezes, nem isso.

O nacional-socialismo também oferecia o paraíso na terra, e o desfecho é bem conhecido. Uma espécie de “anarcofascismo” — autoritário na essência, como teria de ser — sufocou as manifestações com mais eficiência que qualquer tropa de choque.

Serve de demonstração em tempo real da existência de inimigos da democracia e da tolerância disfarçados de forças renovadoras.


domingo, 8 de setembro de 2013

A POLÍTICA ESTÁ ENTRANDO NA VIDA DAS PESSOAS

O ESTADO DE S.PAULO 07 de setembro de 2013 | 15h 31

Análise

Maria Aparecida de Aquino, professora do Departamento de História da USP


O poder de apelo das redes sociais é fenômeno novo, que não é brasileiro, é mundial. Para ficarmos só no exemplo mais conhecido, a Primavera Árabe também foi organizada via internet. O que nos cabe fazer, hoje, é perguntar por que as pessoas atendem a esses chamados das redes.

Tenho uma história de participação no passado, de luta sindical, e me lembro dos convites do tipo "você aí parado, também é explorado!" As pessoas viam as manifestações, mas não aderiam. E agora, de certa forma, estão aderindo. As transformações tecnológicas criam mudanças por toda parte e não podemos deixar de atentar para esse mundo novo e tentar entender o que ele representa.

Esse fenômeno se mescla com outro que cabe considerar - uma forte revisão da historiografia que, nas últimas décadas, faz uma reavaliação da história do Brasil. Trata-se de algo que ocorre, também, em outras regiões do mundo, como a Europa e os Estados Unidos. Versões únicas da História, como a de considerar a chegada dos portugueses como o "descobrimento" do Brasil, ou pensar que a nossa independência precisaria ser feita por um herdeiro da Coroa portuguesa que levantou a espada e gritou "independência ou morte", têm sido vigorosamente contestadas por esse novo modo de entender e escrever a História. E esse modo de entender não mais se limita à versão dos vencedores.

Tomemos o simples exemplo da nossa independência, comemorada neste Sete de Setembro. Foi um episódio comandado, literalmente, pelo herdeiro da Coroa Portuguesa - algo como contratar a raposa para tomar conta do galinheiro, se cabe aqui uma avaliação mais coloquial. Quando isso se dá, escamoteiam-se, de modo cruel, todas as manifestações populares pela independência já feitas antes. Para mencionar as mais significativas, a Inconfidência Mineira em 1789, a conjuração baiana de 1798, a revolução pernambucana de 1817 - movimentos que não só mostravam o desejo de independência mas também já continham o ideal republicano.

O que se tem é este Sete de Setembro, uma data feita para escamotear o real processo de independência do povo brasileiro e sua presença efetiva nos movimentos sociais. Talvez se possa dizer que o Brasil que agora vai às ruas quer acabar com as histórias da carochinha - as de antes e de agora.

Com ajuda dessa nova historiografia, que já marca presença nos livros didáticos, o País vem construindo um processo que vai contra a maré do "ter vergonha de ser brasileiro". O Brasil ganha espaço, como os outros países emergentes. É convocado para todos os grandes fóruns mundiais. Somos neste início do século 21 uma nação que importa no contexto internacional.

Não acho que daqui a 30 anos essas redes sociais sejam vistas como o grande fenômeno do começo do século 21. Mas elas vieram para ficar, e isso é algo que não podemos deixar de considerar. É preciso entender seu significado, como elas podem ajudar a melhorar as condições do povo brasileiro. Graças a elas, pessoas sem participação ou vinculação partidária de repente estão em passeatas. Essas redes nos informam que a política está entrando na vida das pessoas.

sábado, 7 de setembro de 2013

MANIFESTANTES INVADEM ÁREA DE DESFILE MILITAR NO RIO


Polícia usa bombas de gás lacrimogêneo para conter manifestantes. Cinco pessoas foram presas em tumulto na Avenida Passos. Manifestantes jogaram bomba em extinto batalhão da PM


DOMINGOS PEIXOTO
EMANUEL ALENCAR
SIMONE CANDIDA
COM CBN E GLOBO NEWS
O GLOBO
Atualizado:7/09/13 - 10h30

Policiais tentam conter manifestante mascarado no Centro Domingos Peixoto / Agência O Globo


RIO - Manifestantes que fazem uma passeata no Centro do Rio invadiram a Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, onde é realizada a parada militar do Sete de Setembro. Eles acessaram a pista pela Praça da República depois de terem sido barrados na Avenida Passos, onde houve um tumulto com policiais militares. Homens do Batalhão de Choque tentaram conter os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo. Apesar da confusão, o desfile cívico continua. A passeata seguiu da Avenida Passos pelas ruas do Centro Histórico. No caminho, manifestantes jogaram uma bomba dentro do extinto 13º BPM (Praça Tiradentes). Os policiais responderam com pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo. A vidraça de uma agência bancária foi atingida por uma pedra. Cerca de 300 manifestantes participam da passeata. Devido à manifestação, o acesso Campo de Santana da Estação Central do metrô foi fechado.

Depois do tumulto na Avenida Passos, cinco pessoas foram presas. Um dos jovens estava com um estilingue e um desfragmentador de maconha. Impedidos de acessar a Presidente Vargas pela Avenida Passos por causa do bloqueio militar para a parada de Sete de Setembro, os manifestantes seguiram para a Praça Tiradentes e Rua Visconde de Rio Branco em direção ao Campo de Santana.

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanham o ato, informaram que um deles foi preso por desacato, outro por agressão. Um quarto detido usava máscara de gás. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas durante a confusão.

Um dos feridos foi atingido na cabeça e socorrido por estudantes de medicina que apoiam o protesto. Francisca de Assis Barbosa, de 37 anos, foi levada a pé para o Hospital municipal Souza Aguiar. Ela disse ter sido atingida por cassetete de um PM.

- Eles (os PMs) começaram a bater num homem que estava perto de mim e eu acabei sendo atingida na cabeça - disse.

O manifestante Hugo Andrade Pontes também foi encaminhado para o Souza Aguiar depois de ser atingido pela arma de choque de um PM. Outra pessoa inalou gás de pimenta e passou mal. A vítima também foi atendida por estudantes de medicina. Já o fotógrafo do jornal O Dia, Alessandro Costa, foi atingido por um chute do policial militar.

Na Praça Tiradentes, o fotógrafo Marcos de Paula, do jornal Estado de São Paulo, foi ferido por uma bomba de gás lacrimogênio. Ele disse que a bomba foi jogada pela polícia, quicou no chão e grudou no seu braço, causando uma queimadura.

Advogados disseram que os três presos foram levados para a 17ª DP (São Cristóvão). De acordo com a PM, no entanto, o manifestante que estava com um estilingue foi levado para a 5ª DP (Gomes Freire) para prestar esclarecimentos. O advogado Luan Cordeiro, do Grupos Habeas Corpus, disse que as prisões foram arbitrárias. Ele afirmou que os ativistas presos usavam máscaras, mas se identificaram às autoridades policiais.


- Mesmo assim eles foram levados para a delegacia. O uso de máscara não está proibido, desde que se identifiquem - reforçou o advogado.

O tenente-coronel Mauro Andrade, comandante do Grupamento de Policiamento de Proximidade em Multidões (GPPM), afirmou que a Polícia Militar está cumprindo uma ordem judicial da 17ª vara criminal do Rio de Janeiro, que estabelece que qualquer manifestante que estiver usando máscaras deverá ser encaminhado para a delegacia, onde passará por identificação criminal.


- Não está proibido usar máscara, mas quem estiver usando será encaminhado para a delegacia e liberado se estiver tudo certo. É uma determinação da Justiça. Estamos cumprindo - afirmou.

Segundo informações da Rádio CBN, houve dois princípios de confusão na Avenida Passos, esquina com a Presidente Vargas. O tumulto teria começado depois que um manifestante que estava mascarado foi abordado. Revoltados, manifestantes cercaram os policiais militares, que usaram armas de choque e spray de pimenta. O jovem detido alega, no entanto, que estava caminhando pacificamente à procura do irmão quando foi parado por policiais.

Ao chegarem na Praça Tiradentes, os manifestantantes se econtraram com um grupo de evangélicos que fazia um protesto em defesa do pastor Marcos Pereira, preso por estupro.